A cifra da tragédia que se desenrola na fronteira entre o Nepal e a China continua a subir. Seis dias após o colapso de uma geleira no Himalaia, o número de mortos confirmados ultrapassa 900, enquanto quase 4.800 pessoas seguem desaparecidas. As enchentes e deslizamentos de detritos devastaram comunidades inteiras, com o Nepal registrando a vasta maioria das vítimas: 903 mortos e 4.247 desaparecidos, segundo reportagem da Bloomberg.

O duplo colapso: humano e estratégico

A catástrofe expõe não apenas a fragilidade humana diante da fúria da natureza, mas também a vulnerabilidade da infraestrutura energética da região. Pelo menos 12 projetos hidrelétricos foram severamente danificados ou destruídos, de acordo com a Associação Independente de Produtores de Energia do Nepal. Apenas nesses locais, 933 trabalhadores estão desaparecidos, um número que evidencia como o desenvolvimento de infraestrutura em áreas de alto risco climático se tornou uma aposta de consequências fatais. As equipes de resgate, que já mobilizam quase 20 mil agentes de segurança, enfrentam uma corrida contra o tempo para alcançar sobreviventes presos em túneis e comunidades isoladas.

Para o Nepal, uma das economias mais pobres da Ásia, o desastre representa um teste severo. A crise recai sobre o recém-empossado primeiro-ministro Balendra Shah, de 36 anos, cuja ascensão foi impulsionada pelo descontentamento popular com a política tradicional. Agora, ele precisa coordenar uma resposta de emergência de escala internacional — com apoio da China, Índia e África do Sul — enquanto o país já lida com a pressão de custos de combustíveis e a desaceleração do turismo.

Enquanto a busca por sobreviventes continua, o governo nepalês já apela por ajuda especializada, desde drones de grande porte para levar suprimentos até apoio forense para a difícil tarefa de identificação das vítimas. O foco imediato é o resgate, mas a montanha de escombros no Himalaia já aponta para um desafio ainda maior: a reconstrução de um país e a recalibragem de seu modelo de desenvolvimento diante de uma nova e instável realidade climática.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney