O governo da Espanha sinalizou uma postura de pragmatismo calculado em relação aos investimentos chineses. Durante o Forbes Economic Summit em Madri, o secretário de Estado de Indústria, Jordi García Brustenga, defendeu que o país deve “surfar a onda” do capital vindo de Pequim, mas sem “se deixar conquistar”. A declaração, reportada pela Forbes España, encapsula o dilema enfrentado por muitas economias ocidentais.
A tese de Brustenga é direta: a tecnologia chinesa, especialmente no setor automotivo, está “sete a oito anos à frente”, e a ausência de fábricas locais não impedirá seu avanço. Para Madri, a questão não é se os players chineses vão dominar o mercado, mas se essa dominância ocorrerá com produção local — gerando empregos e transferência de conhecimento — ou apenas via importações.
O equilíbrio delicado de Madri
A posição espanhola reflete um debate que ecoa por toda a União Europeia. De um lado, países mais protecionistas, como a França, defendem barreiras para proteger a indústria local. Do outro, economias com cadeias de valor mais globalizadas, como a Alemanha, temem uma guerra comercial. A Espanha busca um caminho do meio: uma proposta “moderada” que salvaguarde setores críticos, mas que não feche as portas para parceiros estratégicos.
O argumento de Brustenga é que uma política industrial “proativa” é mais eficaz que o mero protecionismo. A ideia é usar os padrões europeus e a regulação não como um muro, mas como uma ferramenta de negociação para que os investimentos chineses se adaptem e gerem valor localmente. Trata-se de uma tentativa de transformar uma ameaça competitiva em uma oportunidade de desenvolvimento industrial, reconhecendo uma realidade que não pode ser ignorada.
Ao defender uma aplicação “gradual” da futura legislação industrial da UE, a Espanha adverte contra o isolamento de parceiros como Reino Unido e Coreia do Sul, o que poderia ter “consequências”. A mensagem é clara: em um mundo onde a China redefine as regras da competição, a melhor defesa talvez não seja construir muros, mas sim canais inteligentes de cooperação e exigência.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





