Madri está em contagem regressiva para um colapso anunciado em sua mobilidade urbana. Com a cidade sediando um Grande Prêmio de Fórmula 1 neste fim de semana, a Direção-Geral de Trânsito (DGT) da Espanha tomou uma medida drástica: recomendar o teletrabalho para esta sexta-feira, numa tentativa de esvaziar as ruas e evitar o caos.
A medida expõe a tensão entre a ambição de uma metrópole em ser palco de megaeventos e a realidade de sua infraestrutura. O caso de Madri é emblemático por não se tratar apenas do fluxo gerado pela F1, mas da colisão deste evento com uma cidade já conflagrada por dezenas de canteiros de obras, transformando o fim de semana em um teste de estresse em tempo real.
O preço do espetáculo
O epicentro da disrupção é o novo circuito, construído entre o bairro de Valdebebas e o centro de convenções IFEMA, uma área de expansão ao norte da capital. A escolha por um traçado urbano em detrimento do obsoleto autódromo de Jarama atrai os holofotes, mas concentra a pressão sobre artérias vitais, como o anel viário M-40, que deve sofrer as maiores retenções.
A situação não é inédita. A própria reportagem do portal espanhol Xataka, que detalha o plano de contingência, recorda o caos gerado por outros grandes eventos. O que se desenha é um padrão: a cidade se curva ao espetáculo, e a vida cotidiana de seus habitantes é quem paga a conta, seja em horas perdidas no trânsito ou na recomendação de não sair de casa.
Uma metrópole em obras
A Fórmula 1 não criou o problema; apenas o tornou insustentável. O fator que eleva a crise de mobilidade a um novo patamar é o estado atual de Madri, imersa em intervenções de grande porte na M-30, na autoestrada A-5 e em diversas ruas com a "operação asfalto" de verão. O megaevento simplesmente joga luz sobre uma condição pré-existente de estrangulamento viário.
A recomendação de teletrabalho, portanto, é menos uma solução e mais uma admissão de que a infraestrutura não suporta a própria ambição. Em vez de o sistema absorver a demanda, pede-se que a demanda desapareça. É uma lição para outras metrópoles globais que constantemente flertam com o gigantismo de eventos sem necessariamente terem resolvido suas equações básicas de mobilidade.
O fim de semana em Madri será mais do que uma corrida de carros. Será um estudo de caso sobre os custos reais de sediar o espetáculo global e um debate sobre os limites do crescimento urbano. Resta saber quem, ao final, apresenta a fatura.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Xataka





