As empresas estão investindo mais em inteligência artificial e os funcionários relatam ganhos de produtividade, mas, para a maioria, essa equação ainda não se reflete no lucro operacional. Uma nova pesquisa global da McKinsey com mais de 1.700 executivos mostra que, embora a adoção de IA seja quase universal, o impacto financeiro permanece estagnado.

Segundo a reportagem da Fortune, que detalha o estudo, apenas 37% das companhias afirmam que a IA tem um impacto relevante em seu resultado antes de juros e impostos (EBIT) — um percentual idêntico ao do ano anterior. A desconexão entre o otimismo operacional e o retorno financeiro sugere que o desafio não está na tecnologia em si, mas na forma como ela é integrada à organização.

Onde está o retorno?

Os dados da McKinsey pintam um quadro de entusiasmo crescente. Quase nove em cada dez organizações usam IA regularmente, e 60% planejam aumentar seus investimentos no próximo ano. Para 28% dos respondentes, a tecnologia já consome mais de 10% do orçamento de TI. No entanto, a pergunta que persiste nos conselhos de administração é sobre o retorno desse capital.

A pista está no comportamento de um grupo seleto. A consultoria identifica 6% das empresas como “high performers”, aquelas que atribuem pelo menos 5% de seu EBIT ao uso de IA. O diferencial? Quase 75% delas redesenharam fundamentalmente seus fluxos de trabalho para incorporar a tecnologia, um salto em relação aos 55% no ano passado. A lição é clara: o ganho não vem de adicionar uma camada de IA a processos antigos, mas de repensar a própria natureza do trabalho.

O orçamento da mudança

O porte da empresa também se mostra um fator relevante. Mais da metade (54%) das organizações com faturamento acima de US$ 1 bilhão relatam escalar o uso de IA em toda a empresa, contra apenas um terço das firmas menores. Empresas maiores parecem ter mais capacidade para bancar não apenas a tecnologia, mas a complexa reengenharia organizacional que ela exige.

Para os diretores financeiros que aprovam orçamentos de IA cada vez maiores, a mensagem é que aumentar o investimento é a parte fácil. O próximo ciclo orçamentário talvez deva ser visto menos como um dispêndio tecnológico e mais como um investimento em redesenho de processos e gestão da mudança. Com 20% das empresas já citando os custos operacionais de IA como uma restrição, a eficiência da implementação torna-se crítica.

A verdadeira barreira para a promessa da IA parece ser menos tecnológica e mais organizacional. As empresas que decifrarem esse código não serão apenas mais produtivas; elas operarão sob uma lógica de negócios fundamentalmente diferente. A questão deixou de ser se investir em IA, para se tornar como redesenhar a organização para que o investimento gere valor real.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune