A AG1, marca que se tornou sinônimo de um disciplinado ritual matinal com seu pó verde, está se rendendo a uma das maiores tendências do mercado de bem-estar: as vitaminas em goma. A empresa anunciou o lançamento da AG1 Essentials Gummies, um produto que condensa 50 vitaminas e minerais em formato mastigável.

Segundo reportagem da Fast Company, o movimento é uma tentativa de capturar um público que valoriza a conveniência, mesmo que isso signifique um produto diferente do carro-chefe da marca. Para uma empresa construída sobre a imagem de rigor científico, a entrada no lúdico universo das gomas é um passo estratégico calculado, que busca expandir seu alcance sem, em tese, comprometer sua essência.

Do pó ao pop

A aposta nas gomas é uma resposta direta aos sinais do mercado. A CEO da AG1, Kat Cole, aponta que uma "crescente porcentagem de dois dígitos" de consumidores prefere suplementos neste formato. Ignorar essa demanda seria deixar dinheiro na mesa, especialmente após a Unilever pagar US$ 1,2 bilhão pela concorrente Grüns, validando o potencial do setor.

O desafio para a AG1 é como entrar nesse jogo sem parecer apenas mais uma. A solução encontrada foi manter o selo de certificação NSF Certified for Sport, uma verificação de terceiros que atesta a qualidade dos ingredientes. A mensagem é clara: é uma goma, mas com o mesmo rigor científico do pó.

Expansão em meio a rumores

O lançamento não é um fato isolado. Faz parte de uma expansão de portfólio que inclui também o AG1 Pro, uma versão do pó com creatina voltada para atletas de alta performance. A empresa, que registrou US$ 600 milhões em receita em 2024 e se diz "consistentemente lucrativa", está diversificando seus produtos para atender diferentes perfis de consumidores.

Essa movimentação ocorre em um momento estratégico. Em abril, a agência Reuters noticiou que a AG1 estaria considerando uma venda. Cole enquadra a inovação como uma forma de tornar as "opções para o futuro ainda mais robustas". Em outras palavras, um portfólio mais amplo e um alcance maior tornam a empresa um ativo mais valioso, seja para uma venda ou para seguir crescendo de forma independente.

A transição de um produto-herói para uma estratégia de múltiplos produtos e canais é um caminho clássico para marcas de D2C que buscam escalar. A questão que fica é se a AG1 conseguirá manter sua aura premium e sua base científica enquanto persegue o apelo do mercado de massa.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fast Company