O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, sinalizou nesta terça-feira (29) que um futuro governo liderado por Luiz Inácio Lula da Silva poderia desenvolver um programa de apoio à indústria siderúrgica nacional, inspirado no Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq). A declaração foi feita durante a abertura do Congresso Aço Brasil 2026, em São Paulo, onde Alckmin participou remotamente.

A proposta, se concretizada, indicaria uma continuidade na estratégia de intervenção estatal para setores estratégicos da economia brasileira, buscando fortalecer a produção nacional de aço através de políticas direcionadas. O Presiq, mencionado como modelo, foi um programa que visava a sustentabilidade e o desenvolvimento da indústria química, e sua adaptação ao setor de aço sugere um foco em competitividade, inovação e, possivelmente, questões ambientais.

Defesa Comercial e Queda nas Importações

Na mesma ocasião, Alckmin ressaltou as ações do governo atual no campo da defesa comercial, afirmando que foram estabelecidos "recordes" nesta área. Ele citou especificamente o aumento do imposto de importação para 39 NCMs (Nomenclatura Comum do Mercosul) e a implementação de 17 medidas antidumping. Essas ações tiveram como alvo, entre outros produtos, aços planos revestidos, aços especiais e aços longos.

Os resultados dessas medidas, segundo o vice-presidente, foram notáveis. Ele apontou uma queda de 15% nas importações de aço entre janeiro e junho, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Além disso, a participação das importações no consumo total de aço no país diminuiu drasticamente, caindo de 29% para 12% no mesmo intervalo. Esses números indicam um sucesso na proteção do mercado interno contra a concorrência estrangeira.

Implicações para o Setor Siderúrgico

A menção a um novo programa nos moldes do Presiq para o aço sugere que o governo Lula, caso reeleito, pretende manter ou intensificar o apoio à indústria nacional. Para o setor siderúrgico, isso pode significar novas linhas de crédito, incentivos fiscais, ou mesmo políticas de conteúdo local mais rigorosas. A defesa comercial robusta, combinada com um programa de desenvolvimento, poderia impulsionar a produção e a competitividade das empresas brasileiras.

No entanto, a viabilidade e os detalhes de tal programa ainda são incertos. A experiência do Presiq na indústria química pode oferecer um roteiro, mas as especificidades do mercado de aço, incluindo a volatilidade dos preços globais e a necessidade de investimentos em tecnologia e sustentabilidade, demandarão um plano customizado e bem estruturado.

Perguntas em Aberto

As declarações de Alckmin abrem diversas questões sobre o futuro das políticas industriais no Brasil. Como exatamente um programa para o aço seria estruturado? Quais seriam os critérios para elegibilidade e quais os objetivos de longo prazo? A ênfase na defesa comercial continuaria sendo uma prioridade absoluta, ou haveria um equilíbrio maior com a abertura comercial?

Além disso, a articulação com o setor privado será crucial. A receptividade da indústria siderúrgica a um novo programa de fomento, especialmente após os resultados positivos da defesa comercial, ainda precisa ser avaliada. A capacidade do governo em negociar e implementar políticas eficazes será determinante para o sucesso dessas iniciativas.

A proposta de Alckmin, embora ainda no campo das ideias para um futuro governo, reforça a visão de que políticas industriais ativas e defesa comercial são ferramentas que o Brasil considera essenciais para o desenvolvimento de seus setores estratégicos. A trajetória futura dependerá da consolidação dessas ideias em planos concretos e da capacidade de execução. Com reportagem de Brazil Valley

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