A Ásia consolida sua liderança global em habilidades de computação, com oito dos dez principais sistemas educacionais em resolução de problemas computacionais localizados no continente, de acordo com os resultados do PISA 2025. Macao lidera o ranking com 572 pontos, seguida de perto por Singapura (563) e pelas regiões chinesas de Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang (560). Os Estados Unidos se posicionam em 15º lugar, com 513 pontos, ligeiramente acima da média da OCDE de 500.

Domínio Asiático e Desempenho Global

O relatório, publicado em setembro de 2026, avaliou as capacidades de 15.000 estudantes de 15 anos em 48 países e economias. A avaliação focou em habilidades essenciais como raciocínio lógico, modelagem e pensamento algorítmico, indo além do simples uso de computadores. O desempenho excepcional da Ásia sugere uma forte correlação com o raciocínio matemático fundamental, que é um pilar educacional em muitos desses países. Sistemas como Japão, China (Taipei) e Hong Kong complementam o domínio asiático, ocupando posições de destaque no top 6. A Estônia se destaca como a líder europeia, com 541 pontos, enquanto Austrália e Nova Zelândia também figuram entre os 10 melhores, demonstrando que a excelência em computação não se restringe ao Leste Asiático.

Implicações para a Educação e o Futuro do Trabalho

A crescente influência da inteligência artificial (IA) no mercado de trabalho global eleva a importância das competências em resolução de problemas computacionais. A capacidade de aplicar lógica e pensamento computacional torna-se cada vez mais valiosa, independentemente da área de atuação. A disparidade nos resultados entre países sinaliza a necessidade de reavaliar currículos e métodos de ensino. Enquanto países asiáticos parecem ter encontrado um modelo eficaz, outras nações enfrentam o desafio de adaptar seus sistemas educacionais para preparar os alunos para um futuro digital. A análise do PISA 2025 não aponta diretamente para políticas educacionais específicas, mas o padrão de desempenho sugere que a cultura acadêmica e o investimento contínuo em educação STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) são fatores cruciais para o avanço tecnológico.

Tecnologia e Habilidade Computacional: Uma Relação Complexa

O estudo do PISA 2025 também desmistifica a ideia de que alta penetração de internet se traduz automaticamente em melhores habilidades computacionais. Países como os Emirados Árabes Unidos, com acesso à internet superior a 99%, obtiveram pontuações moderadas (476 pontos). Isso indica que o acesso à tecnologia por si só não garante proficiência. A OCDE observa que o uso moderado de tecnologias educacionais está associado a um melhor desempenho acadêmico, enquanto o uso excessivo ou as distrações digitais podem prejudicar o aprendizado. A proficiência computacional, portanto, depende não apenas da disponibilidade de ferramentas digitais, mas de como elas são integradas ao processo de ensino, complementando habilidades fundamentais como matemática e leitura.

Perguntas em Aberto e o Caminho a Seguir

Os resultados do PISA 2025 abrem um leque de questões sobre a universalidade das melhores práticas em educação para computação. Como outros países podem replicar o sucesso asiático sem necessariamente copiar seus modelos educacionais? Quais políticas específicas, além do investimento em STEM e da cultura acadêmica, são determinantes para o desenvolvimento dessas habilidades? A relação entre o uso de tecnologia na educação e o desempenho computacional precisa de mais investigação para identificar o equilíbrio ideal. O futuro do trabalho exigirá cada vez mais cidadãos com pensamento crítico e capacidade de resolver problemas complexos, e a educação será a chave para atender a essa demanda.

O relatório PISA 2025 oferece um panorama global das competências em resolução de problemas computacionais, destacando a liderança asiática e a importância crescente dessas habilidades. A análise sugere que a combinação de raciocínio lógico, pensamento algorítmico e um ecossistema educacional robusto é fundamental para preparar as novas gerações para os desafios do século XXI.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Visual Capitalist