Manuel de Alzúa, presidente do Instituto de Auditores Internos da Espanha (IAI), defendeu recentemente a expansão do papel da auditoria interna para além das fronteiras da empresa privada, com foco especial nas instituições públicas. Em sua visão, a profissão é crucial para reforçar a confiança pública e disseminar seus padrões de rigor, controle e prestação de contas em âmbitos onde decisões com impacto social são tomadas. A declaração ocorreu durante a abertura das Jornadas de Auditoria Interna, em Ifema Madrid.
Alzúa argumentou que a auditoria interna não pode permanecer restrita ao setor corporativo. Ele ressaltou que a confiança institucional é um pilar essencial para a estabilidade econômica e social global, especialmente em um contexto de incertezas geopolíticas, rápidas mudanças tecnológicas e crescente complexidade na tomada de decisões. Nesse cenário, a confiança deixa de ser uma opção para se tornar uma necessidade imperativa. A auditoria interna, segundo ele, desempenha um papel fundamental ao avaliar se aquilo em que se deve confiar é, de fato, digno dessa confiança, sem a pretensão de oferecer certezas inatingíveis.
O Imperativo da Confiança Institucional
A experiência acumulada, as normas internacionais e o rigor analítico dos auditores internos são, na perspectiva de Alzúa, ferramentas indispensáveis para as esferas governamentais. Em momentos de alta complexidade, a exigência por um rigor técnico inabalável, controles robustos, transparência e uma prestação de contas irrepreensível torna-se ainda mais premente. A atuação da auditoria interna, neste contexto, serve como um mecanismo de salvaguarda, assegurando que os processos decisórios e a gestão dos recursos públicos estejam alinhados com os mais altos padrões de integridade e eficiência.
IA: Uma Nova Fronteira para a Auditoria
Um dos desafios mais proeminentes apontados por Alzúa para a profissão é a inteligência artificial (IA). Ele alertou que o avanço dessa tecnologia exige um reforço na capacidade humana de supervisão. "Quanto mais sofisticada é a máquina, mais determinante se torna a capacidade humana para questionar, compreender e auditar o que as máquinas produzem", afirmou. O desafio, contudo, não se limita à capacidade tecnológica em si, mas abrange as garantias necessárias quando decisões críticas são delegadas a sistemas complexos. Alzúa classificou esta questão não apenas como um desafio técnico, mas, fundamentalmente, como um desafio de governança corporativa — o campo de atuação natural da auditoria interna.
Ambições e Evolução Profissional
O presidente do IAI reiterou seu compromisso em impulsionar a evolução da profissão, buscando ampliar sua contribuição como função estratégica. A ênfase recai sobre os âmbitos onde as decisões possuem maior relevância, os riscos são mais complexos e a necessidade de confiança é mais acentuada. As recentes jornadas em Madrid reuniram mais de 700 profissionais sob o lema "O atelier da nossa profissão", abordando temas como geopolítica, IA, gestão de riscos e a transformação tecnológica, além da evolução do papel institucional da auditoria interna.
Perspectivas Futuras
A demanda por maior transparência e rigor em instituições públicas é uma tendência global, impulsionada tanto pelas expectativas da sociedade quanto pela complexidade crescente dos desafios enfrentados. A auditoria interna, com sua expertise em controle e governança, posiciona-se como um agente fundamental nesse processo. A forma como a profissão se adaptará e expandirá sua atuação, especialmente diante de tecnologias disruptivas como a IA, definirá sua relevância futura.
A discussão sobre o aprimoramento da confiança institucional, através da atuação qualificada da auditoria interna, ganha contornos cada vez mais estratégicos em um mundo em constante transformação. A capacidade de adaptação e a proatividade em abraçar novos desafios, como os impostos pela inteligência artificial, serão determinantes para o fortalecimento da governança pública.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





