A Forbes espanhola publicou sua lista com as 50 personalidades mais influentes do setor agroalimentar da Andaluzia, um dos motores econômicos da Espanha e uma potência global em produtos como azeite de oliva, vinhos e hortifrutícolas. A seleção, que inclui de presidentes de cooperativas a criadores de conteúdo digital, serve como um mapa do poder e das tensões que definem um dos ecossistemas agrícolas mais importantes da Europa.
O que a lista deixa claro é que a definição de "influência" está em plena mutação. Embora o poder econômico continue sendo o principal critério, a presença de cientistas, empreendedores de biotecnologia e comunicadores digitais ao lado de CEOs de conglomerados familiares sinaliza uma mudança estrutural. A análise dos nomes escolhidos não é apenas um quem-é-quem, mas um diagnóstico de um setor que navega entre a tradição secular e a disrupção tecnológica, sob a pressão crescente das mudanças climáticas.
O peso dos incumbentes
Não há surpresa na dominância de figuras que comandam os pilares da economia andaluza. Nomes como Ignacio Silva, CEO da Deoleo, e Antonio Luque, presidente do gigante cooperativo DCOOP, representam a força consolidada da indústria do azeite. A metodologia da Forbes, que atribui 30% da pontuação ao "liderazgo e impacto económico", naturalmente favorece esses perfis, que controlam cadeias de valor, geram milhares de empregos e possuem escala para competir globalmente. O mesmo se aplica a líderes de empresas familiares icônicas, como Mauricio González-Gordon (González Byass) e Sofía Osborne (Grupo Osborne), que personificam a fusão entre legado, marca e internacionalização.
Essa estrutura de poder, ancorada em grandes empresas e cooperativas robustas como CASI e Unica Group, reflete um modelo de sucesso que transformou a Andaluzia em uma potência exportadora. A influência desses executivos é medida em faturamento, capacidade de investimento e interlocução direta com o poder público. Eles são a espinha dorsal de uma indústria que, apesar de sua maturidade, continua a ser o centro de gravidade econômico e social da região.
Inovação e escassez: os novos vetores
O lado mais intrigante da lista, no entanto, está nos nomes que fogem a esse padrão. A inclusão de Pablo Montañés, CEO da Kimitec, e David Iglesias, da Biorizon Biotech, aponta para o papel crescente da biotecnologia e da inovação como novos eixos de poder. Essas empresas não competem em volume, mas em propriedade intelectual, desenvolvendo soluções para aumentar a produtividade e a sustentabilidade, temas que se tornaram cruciais para a sobrevivência do setor.
Essa nova geração de influência é complementada por acadêmicos como Julio Berbel Vecino, catedrático de economia agrária focado na gestão da água, e por uma nova safra de divulgadores digitais, como Lorena Guerra (@agricola_lorew) e Germán Fernández (@germanagrolife). A presença deles na lista é o reconhecimento de que a influência hoje também reside na capacidade de pautar o debate, transferir conhecimento e conectar o campo a novas audiências. Em uma região que enfrenta secas severas, a voz de um especialista em recursos hídricos ou de uma influenciadora que discute a profissionalização do campo ganha um peso estratégico antes inimaginável.
O retrato que emerge da lista da Forbes não é o de um setor monolítico, mas de um ecossistema complexo em transição. A influência no agro andaluz não é mais apenas uma função de hectares e faturamento. Ela agora é disputada em laboratórios, em algoritmos de redes sociais e nos corredores acadêmicos onde se buscam soluções para a escassez. A questão que fica no ar não é quem detém o poder hoje, mas qual forma de influência — a da escala tradicional ou a da inovação disruptiva — definirá o futuro do setor.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





