A transformação digital nas empresas brasileiras enfrenta um obstáculo persistente que vai além da infraestrutura tecnológica: a baixa cultura digital. Segundo um estudo divulgado pela SoftExpert, 64% das organizações identificam essa carência como o principal gargalo, superando até mesmo a questão de sistemas legados e não integrados, que afeta 62% delas. Essa lacuna na capacitação e no comportamento dos colaboradores em relação às novas ferramentas e processos digitais cria ecossistemas de dados fragmentados, o que, por sua vez, impede que as empresas obtenham uma visão unificada e em tempo real de seus riscos corporativos.
Cultura Digital: O Elo Perdido na Transformação
O relatório "Panorama setorial global: Governança, Compliance e Transformação Digital" da SoftExpert destaca que o desafio não reside na ausência de tecnologia, mas na dificuldade em integrá-la ao dia a dia das operações e à mentalidade dos gestores e equipes. Josiani Silveira, CEO da SoftExpert, ressalta que "o maior gargalo é trabalhar a cultura da empresa em relação à transformação digital". Em setores considerados críticos, a gestão de riscos complexos ainda é realizada com ferramentas ultrapassadas ou mal integradas, expondo as companhias a vulnerabilidades significativas. Essa falta de alinhamento entre comportamento e software é um impedimento direto para a obtenção de uma visão holística e em tempo real dos riscos corporativos, essencial em um cenário de negócios cada vez mais volátil e regulado.
Riscos de Não Conformidade e a Busca por Prioridades
Além da baixa cultura digital, o estudo aponta que cerca de 40% dos executivos entrevistados já vivenciaram impactos relevantes decorrentes da não conformidade. Um dado alarmante é que quase um quarto das empresas (23%) lida com crises dessa natureza de uma a três vezes por ano, evidenciando a recorrência do problema. A falta de conhecimento interno também contribui para o cenário de risco, com 41% dos respondentes incapazes de afirmar se suas empresas foram afetadas por não conformidades. Diante deste quadro, as prioridades para os próximos anos giram em torno da melhoria da gestão de riscos e da capacitação das equipes para a transformação digital, ambas citadas por 58% dos entrevistados. A ampliação da rastreabilidade (55%) e a implementação de sistemas integrados (41%) também figuram na agenda executiva, seguidas pela redução de custos (35%) e automação de auditorias (24%).
ESG como Impulsionador da Digitalização
A agenda ESG (Ambiental, Social e Governança) emerge como um importante motor de aceleração para a digitalização. Cerca de 34% das companhias afirmam que práticas de sustentabilidade já impulsionam concretamente a digitalização de seus processos de compliance. Este movimento está em consonância com tendências globais, onde a complexidade regulatória tem aumentado significativamente. Dados da PwC indicam que 85% das empresas relataram um aumento na complexidade regulatória nos últimos três anos. O Gartner, por sua vez, aponta que a falta de governança integrada é a principal razão pela qual apenas 48% das iniciativas de transformação digital atingem suas metas, gerando riscos não mapeados e retrabalho. A visão da SoftExpert é que o compliance, quando integrado ao ambiente digital, deixa de ser um centro de custo para se tornar um ativo de performance, essencial para a inovação segura.
O Caminho para a Inovação Segura
O estudo da SoftExpert lança luz sobre um desafio fundamental para o avanço das empresas na era digital: a necessidade de alinhar a tecnologia com a cultura organizacional. A persistência de sistemas legados e a carência de uma cultura digital robusta criam um terreno fértil para a não conformidade e a fragmentação de dados, comprometendo a visibilidade e a gestão de riscos. Para as organizações que almejam liderar em um mercado cada vez mais competitivo e regulado, a governança integrada com o ambiente digital não é apenas uma vantagem, mas uma infraestrutura indispensável para escalar a inovação com segurança.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside





