A fusão entre a Oceanpact e a CBO marca uma mudança estrutural no setor de serviços offshore no Brasil, levando o Bradesco BBI a elevar o preço-alvo das ações da companhia de R$ 10 para R$ 15. A recomendação de compra foi mantida, com analistas destacando a nova entidade como uma das principais escolhas entre as small caps da América Latina, segundo reportagem do InfoMoney.
O mercado reagiu positivamente ao anúncio, com os papéis da Oceanpact (OPCT3) registrando alta de 5,17% logo após a divulgação da nota. A tese do banco sustenta-se na criação de um player com escala global, capaz de otimizar custos e elevar a geração de caixa de forma significativa nos próximos anos.
Sinergias e escala operacional
A união das operações resulta em uma frota combinada de 73 embarcações, posicionando a nova empresa como a segunda maior do país, atrás apenas da Bram Offshore. Com essa escala, a companhia passa a deter cerca de 15% do mercado brasileiro de embarcações de apoio offshore (OSV), aproximando-se de competidores globais como o DOF Group.
O cenário-base traçado pelo BBI incorpora sinergias administrativas e operacionais, além de ganhos de capex. A estratégia central envolve a recontratação de embarcações que atualmente permanecem ociosas na frota da CBO, um movimento crítico para a rentabilidade do negócio consolidado.
Projeções de caixa e dividendos
A mudança no perfil financeiro é um dos pontos centrais da análise. A projeção de fluxo de caixa por ação para 2026 subiu para R$ 0,79, uma reversão drástica frente à estimativa negativa de R$ 0,14 para a Oceanpact isolada. O rendimento médio do fluxo de caixa livre para o acionista é estimado em 12% entre 2026 e 2030.
Além do fluxo de caixa, o potencial de dividendos atrai o interesse dos investidores. O banco estima um dividend yield médio superior a 15% para o período, excluindo possíveis valores decorrentes de reivindicações judiciais contra a Petrobras, que poderiam elevar o preço-alvo do papel para R$ 17 ao fim de 2026.
Riscos de execução e liquidez
Apesar do otimismo, o BBI reconhece desafios importantes. A liquidez das ações permanece como uma preocupação central, embora seja esperada uma melhora gradual à medida que investidores de private equity reduzam suas participações na base acionária da empresa.
Outros riscos incluem a complexidade da integração entre as duas companhias, a demora na recolocação das embarcações ociosas no mercado e a volatilidade inerente ao ciclo de óleo e gás. A capacidade de gestão em executar o plano de integração será o fiel da balança para a materialização dos preços-alvo mais otimistas.
Valuation e perspectivas futuras
No campo da avaliação de mercado, a empresa negocia a 4,5 vezes o EV/Ebitda projetado para 2026, apresentando um desconto de cerca de 30% em relação à média global do setor. Esse valuation, aliado à promessa de dividendos consistentes, coloca a ação em uma posição competitiva frente a pares como a Tidewater.
O mercado agora observa a efetiva conclusão da fusão e a velocidade com que a nova frota será alocada em contratos de longo prazo. A tese de investimento depende menos de fatores exógenos e mais da capacidade operacional do grupo em converter sua nova escala em eficiência financeira real.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





