O mercado financeiro ajustou suas expectativas para a taxa básica de juros, a Selic, em 2026. Segundo o Relatório Focus do Banco Central, a projeção caiu de 13,50% para 13,25%, indicando que economistas vislumbram possíveis cortes nas reuniões remanescentes deste ano. Neste cenário de política monetária mais branda, o BTG Pactual identificou uma melhora, ainda que marginal, para empresas de setores caracterizados por alta alavancagem, margens líquidas reduzidas e forte exposição a dívidas atreladas à Selic.
Quem se beneficia da queda da Selic
Na avaliação do banco, setores como varejo, incorporadoras de médio e alto padrão, empresas de infraestrutura e serviços básicos, nomes do mercado de capitais e companhias alavancadas em geral tendem a apresentar desempenho superior. O BTG Pactual acredita que essas empresas podem experimentar um ajuste relevante em suas projeções em um contexto de reduções mais significativas na taxa de juros. A equipe do banco ressalta que "juros de curto prazo menores e atividade econômica mais forte podem impulsionar a expansão dos lucros rumo ao fim de 2027 e a 2028, o que poderia estender ainda mais o rali".
Impacto nos lucros e setores-chave
Um estudo do BTG Pactual sugere que cada redução de 100 pontos-base na taxa de juros local pode gerar um impacto considerável nas projeções de lucro para 2027. Entre as empresas citadas com potencial de destaque estão Viveo (VVEO3), Ecorodovias (ECOR3), Auren (AURE3), Minerva (BEEF3), Hapvida (HAPV3), Magazine Luiza (MGLU3), Cosan (CSAN3), Energisa (ENGI11), Equatorial (EQTL3), PagSeguro (PAGS34), Randon (RAPT4), Simpar (SIMH3), Movida (MOVI3) e Assaí (ASAI3).
Varejo e Imobiliário na mira
O setor de varejo é apontado como um dos grandes protagonistas nesse movimento. Uma taxa de juros mais baixa tende a estimular a atividade econômica e a melhorar as condições de crédito, fatores cruciais para o consumo. No mercado imobiliário, as incorporadoras de médio e alto padrão são identificadas como as mais sensíveis aos ciclos de afrouxamento monetário, beneficiando-se diretamente da redução dos custos de financiamento.
Perspectivas e incertezas
A projeção de uma Selic mais baixa para 2026 sinaliza um ambiente mais favorável para empresas endividadas e com sensibilidade a juros. No entanto, a magnitude e a velocidade desses cortes, bem como a sustentabilidade da atividade econômica, permanecem como pontos de atenção. A efetiva materialização desses ganhos dependerá da continuidade do cenário benigno para a política monetária e da resiliência da economia brasileira.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





