A artista franco-americana Camille Henrot levará sua exploração do mundo animal para um dos palcos mais democráticos do mundo: o Central Park. A partir de 9 de setembro, doze esculturas de cães em grande escala ocuparão a Doris C. Freedman Plaza, na entrada do parque, em um projeto do Public Art Fund que permanecerá em exibição por um ano.
A instalação, segundo reportagem da ARTnews, não é apenas uma celebração do melhor amigo do homem. É um desdobramento da investigação de Henrot sobre o corpo, a natureza e os sistemas de cuidado, temas recorrentes em sua obra que agora ganham o espaço público, dialogando diretamente com os passantes e seus próprios animais.
A fauna urbana de Henrot
Feitas de bronze, pedra, aço e concreto, as esculturas são baseadas em trabalhos anteriores da artista, como os exibidos em sua mostra "A Number of Things" na galeria Hauser & Wirth em 2025. Peças com nomes como Noé, Francesco e Helix demonstram a intenção de Henrot de capturar individualidades, não arquétipos.
Como aponta Melanie Kress, curadora sênior do Public Art Fund, cada escultura reflete "as muitas formas, tamanhos e temperamentos dos companheiros caninos que ela encontra em seu bairro", o Upper West Side. A arte, aqui, espelha a ecologia social da metrópole, transformando a observação cotidiana em um gesto artístico.
Mais que o melhor amigo do homem
Embora os cães ganhem o protagonismo, a obra de Henrot é vasta. Vencedora do Leão de Prata na Bienal de Veneza de 2013 pelo vídeo Grosse Fatigue, a artista transita entre escultura, pintura e instalações, sempre investigando as complexas relações entre humanos, tecnologia e o mundo natural.
Em entrevistas, Henrot já questionou por que a humanidade é capaz de valorizar animais domésticos enquanto negligencia outras espécies, descrevendo os cães como seres "bagunceiros e meio punk", que desafiam nossas noções de ordem e afeto. A instalação carrega, portanto, uma provocação filosófica.
Ao levar essas figuras para o Central Park, Henrot convida o público a uma reflexão que vai além da estética. A obra transforma o ato corriqueiro de passear com o cachorro em uma oportunidade para questionar nosso lugar no ecossistema e a natureza de nossos laços com o mundo não-humano.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · ARTnews





