A indústria de defesa chinesa apresentou, em recente feira militar realizada em Pequim, novos sistemas de contramedidas voltados especificamente para a neutralização de drones. O destaque do evento foi a linha de dispositivos a laser denominada Lijian, desenvolvida pela companhia Harbin Xinguang Optic-Electronics Technology, que se diferencia pela portabilidade e pelo baixo custo operacional em comparação aos métodos de defesa aérea convencionais.

Segundo informações divulgadas durante a exposição, os sistemas são projetados para serem operados por apenas um ou dois militares, sendo transportados em mochilas, o que confere agilidade em cenários de combate. A tecnologia busca preencher uma lacuna estratégica na defesa contra aeronaves não tripuladas, oferecendo uma resposta rápida e de precisão que pode ser integrada a redes mais amplas de vigilância e controle militar.

A engenharia por trás da série Lijian

Os modelos Lijian 2 e Lijian 3, que pesam entre 25 kg e 30 kg, operam com um conjunto composto por emissor de laser, unidade de resfriamento e controle manual. A versão Lijian 3, conforme dados apresentados, consegue neutralizar um alvo em cerca de quatro segundos, exigindo um intervalo de resfriamento de menos de cinco segundos para o disparo subsequente. O alcance operacional desses dispositivos portáteis é de aproximadamente 500 metros.

A estratégia de design prioriza a mobilidade ao utilizar resfriamento a ar, uma escolha técnica que permite a redução do tamanho do equipamento. Para aplicações que demandam maior alcance, como a versão fixa Lijian 10G, a empresa optou por um sistema de resfriamento líquido, elevando a capacidade de neutralização para 1.200 metros, embora com a perda da portabilidade que caracteriza a linha principal.

Integração tecnológica e inteligência artificial

Além da capacidade de disparo, os sistemas Lijian foram exibidos com potencial de integração a soluções de inteligência artificial e radares compactos para identificação de alvos. Essa camada de automação é fundamental para o sucesso de armas de energia direta, que dependem da detecção precisa e do rastreamento constante do drone antes da ativação do feixe laser.

A utilização de IA sugere um esforço para minimizar o erro humano no campo de batalha, permitindo que o operador foque na decisão tática enquanto o sistema processa a trajetória do alvo. Segundo representantes da empresa, os equipamentos já teriam sido implantados em áreas estratégicas, como instalações aéreas, indicando que a tecnologia já superou a fase de prototipagem laboratorial.

Implicações para a defesa aérea global

O custo estimado de 2 milhões de yuans, aproximadamente 295 mil dólares, posiciona essas armas como uma alternativa economicamente viável para a defesa contra enxames de drones de baixo custo. A proliferação de aeronaves não tripuladas baratas tem pressionado orçamentos militares ao redor do mundo, dado que o uso de mísseis interceptadores caros para abater alvos simples é insustentável a longo prazo.

A adoção de lasers portáteis altera o cálculo de risco em conflitos assimétricos, onde a vantagem tecnológica pode ser neutralizada pelo volume de drones. Para reguladores e estrategistas, o desafio reside em equilibrar a eficácia desses sistemas com a necessidade de evitar o uso indevido, dado que a portabilidade facilita a dispersão dessas armas em diversos teatros de operações.

Perspectivas e incertezas técnicas

Embora os dados apresentados em Pequim indiquem avanços, a performance real em condições climáticas adversas, como chuva, neblina ou poeira intensa, permanece uma variável crítica para a eficácia de qualquer arma a laser. A dispersão atmosférica do feixe é um fenômeno físico que pode limitar drasticamente o alcance e a potência do laser, independentemente da sofisticação do hardware.

O mercado de defesa continuará observando o desempenho desses sistemas em campo, especialmente no que tange à durabilidade dos componentes ópticos e à manutenção em ambientes de alta fricção. A capacidade de escalar a produção para atender demandas militares em larga escala será o próximo teste para a Harbin Xinguang Optic-Electronics Technology, à medida que a corrida por contramedidas para drones ganha prioridade global.

A eficácia demonstrada em feiras militares oferece apenas um vislumbre das capacidades reais, sendo necessário cautela ao analisar o impacto dessas soluções no equilíbrio de poder. A transição de sistemas experimentais para operações de rotina revelará se a tecnologia a laser conseguirá, de fato, ditar um novo padrão de segurança contra ameaças aéreas.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Olhar Digital