Reescrever 98% do código legado de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo em apenas 24 meses — e confiar essa missão a um jovem de 27 anos encontrado em uma função considerada pouco estratégica. Essa é a aposta de Jeetu Patel, presidente da Cisco, em Padmanabhan Krishnamurthy, conhecido como Paddy.
Ex-fundador da startup EzDubs — adquirida pela Cisco, segundo a InfoMoney — Paddy recebeu acesso irrestrito a ferramentas de inteligência artificial e a liberdade para "enlouquecer", nas palavras de Patel. A iniciativa representa uma mudança de paradigma na gestão de talentos em grandes corporações, desafiando a noção de que apenas profissionais experientes podem liderar projetos de ponta.
A Geração Z como motor de inovação
Patel, em conversa com a Fortune, criticou a visão predominante que associa a Geração Z a comportamentos inadequados no ambiente de trabalho ou a uma menor empregabilidade devido à IA. Ele argumenta que empresas cometem um erro ao negligenciar o potencial desses jovens profissionais, que podem trazer novas perspectivas e questionamentos cruciais para desafiar o status quo.
"Se você não contrata pessoas em início de carreira e simplesmente mantém sua força de trabalho da mesma forma, de onde virão as novas ideias?", questionou Patel. A experiência de Paddy, que propôs reescrever o código legado da Cisco com uma equipe minúscula, exemplifica como talentos emergentes podem oferecer soluções inovadoras, mesmo quando a inteligência artificial ainda não era o foco principal da liderança.
O valor do atrito e da mentoria reversa
O executivo da Cisco defende a criação de "tensão nas equipes" como um catalisador para a inovação. Ele distingue o atrito de ideias do conflito interpessoal, promovendo um ambiente onde diferentes pontos de vista possam coexistir e gerar novas soluções.
Patel também adota a prática da "mentoria reversa", em que estagiários e jovens profissionais ensinam as equipes mais experientes a pensar de forma diferente. Um exemplo notável foi uma estudante de Stanford que, após manter contato com Patel, conseguiu um estágio e desenvolveu uma solução para um problema que funcionários mais antigos não haviam resolvido. Essa abordagem não visa apenas a execução de tarefas operacionais, mas a transformação da mentalidade corporativa, incentivando a adoção de novas tecnologias e abordagens.
Tendência global: apostas em jovens talentos
Patel não é o único executivo a reconhecer o valor da Geração Z. Josh Kushner, fundador da Thrive Capital, prefere contratar profissionais com menos de quatro anos de experiência — estratégia que levou a investimentos bem-sucedidos em empresas como a OpenAI. Alon Chen, da Tastewise, busca ativamente jovens sem experiência prévia, considerando-os "praticamente nativos da IA" e livres de barreiras de pensamento.
Essa convergência de opiniões sugere uma mudança cultural no mundo corporativo, onde a juventude e a afinidade com novas tecnologias são vistas como ativos estratégicos.
A fórmula de Patel: três perfis, uma equipe
Para Patel, o futuro das empresas reside na combinação sinérgica de diferentes perfis de profissionais. Ele descreve a estrutura ideal de sua equipe como um terço de operadores experientes com profundo conhecimento da Cisco, um terço de especialistas externos com visão de mercado, e um terço de fundadores, CEOs e engenheiros com mentalidade empreendedora e afinidade com IA.
"Cada um desses grupos isoladamente é menos poderoso do que os três trabalhando juntos", afirmou. Essa fusão de experiências e perspectivas é o que, segundo ele, "cria a mágica", impulsionando a inovação e a adaptação em um cenário de rápidas transformações tecnológicas. A aposta em Paddy é um reflexo dessa visão — a busca por extrair o máximo potencial de talentos emergentes para moldar o futuro da Cisco na era da IA.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





