A crise de liquidez que abalou a gestora Apex Partners provocou uma reconfiguração forçada na estrutura de capital da CVC Corp. Nos últimos dias, os fundos ligados à gestora capixaba tiveram sua participação na operadora de turismo reduzida de 12,2% para 7,97%, abrindo espaço para a Absolute Asset e a Unity Capital ampliarem suas posições.

O movimento, segundo reportagem do Brazil Journal, foi articulado pela GJP, veículo de investimento da família Paulus que detém cerca de 20% da CVC. A leitura é que, para além da turbulência de curto prazo, a mudança serviu para estabilizar a governança da companhia, afastando a incerteza gerada por um acionista em dificuldades financeiras e, ao mesmo tempo, reforçando a influência dos controladores originais.

A poeira assenta, o controle se firma

A venda das ações pela Apex não foi uma decisão estratégica, mas uma necessidade. A gestora, que enfrenta um rombo estimado em quase R$ 1 bilhão, precisou liquidar parte da posição para cobrir operações a termo que estavam vencendo, nas quais os papéis da CVC haviam sido dados como garantia. A Absolute e a Unity, que já eram investidoras, viram uma oportunidade de entrada a um preço descontado pela crise.

É notável que os novos acionistas relevantes não aderiram ao acordo existente entre a GJP e a Apex. Permanecem como investidores independentes. Já os 7,97% que restaram com a Apex continuam vinculados ao acordo, que na prática alinha seus votos aos da família Paulus. O recado de Gustavo Paulus, vice-chairman da CVC, é direto: a Apex tornou-se "só mais um acionista", sinalizando o fim de sua relevância estratégica na governança da empresa.

Para além do mercado financeiro

Enquanto o xadrez acionário se desenrolava, a gestão da CVC buscou blindar a operação. O CEO, Fábio Mader, afirmou que o impacto no dia a dia foi "zero". A companhia agiu para tranquilizar credores, fornecedores e franqueados, argumentando que a crise era restrita a um acionista que não tinha envolvimento na gestão — o fundador da Apex, Fernando Cinelli, participou de apenas duas reuniões do conselho antes de renunciar.

A turbulência societária ocorre enquanto a CVC tenta executar seu próprio turnaround. Os resultados do segundo trimestre mostram a complexidade do desafio: as reservas cresceram, mas a receita líquida caiu, pressionada pelo mix de produtos e pela necessidade de manter preços competitivos. O foco da gestão, agora, é a tecnologia. A aposta é que uma nova plataforma, inspirada no modelo da gigante chinesa Trip.com, trará os ganhos de eficiência que a empresa busca. A crise de um sócio foi contida; o desafio do negócio real persiste.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Brasil Journal Tech