As ações da Dasa (DASA3) encerraram o pregão desta quarta-feira (3) entre as maiores quedas da B3, pressionadas por um cenário de forte aversão ao risco no mercado doméstico. O papel recuou 10,06%, cotado a R$ 2,77, em um dia caracterizado por baixa liquidez, somando cerca de 2,9 mil negócios realizados.
O movimento negativo intensifica o cenário desafiador da companhia no ano, acumulando uma desvalorização de 39% em 2026. A queda ocorre justamente em um momento em que a empresa busca consolidar sua reestruturação operacional e reduzir o peso de sua dívida em um ambiente de juros elevados.
Pressão sobre o valuation e alavancagem
O Bank of America (BofA) revisou o preço-alvo da Dasa de R$ 6 para R$ 5, mantendo, contudo, a recomendação de compra. A análise, assinada pelo analista Flavio Yoshida, aponta que a revisão incorpora resultados financeiros mais fracos do que o esperado. O ponto central da tese do banco é a alavancagem, que permanece em 3 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda.
Embora a empresa tenha demonstrado disciplina de custos e ganhos de produtividade, a estrutura de capital ainda é vista como o maior gargalo para o valor da ação. O relatório reforça que a redução do endividamento é uma prioridade fundamental para que a companhia consiga navegar com mais fôlego no cenário macroeconômico atual.
Dinâmica de caixa e desinvestimentos
Após dois trimestres de geração positiva no segundo semestre de 2025, a Dasa voltou a apresentar queima de caixa no início de 2026. A expectativa do BofA é de uma reversão gradual desse quadro ao longo do segundo semestre deste ano, impulsionada por uma gestão mais eficiente de recebíveis e despesas de capital controladas.
Uma das alavancas estratégicas mencionadas pelo banco para acelerar a desalavancagem é a venda de ativos não essenciais, como as clínicas HBA e AMO. A leitura é que tais ativos possuem valor de mercado e podem atrair interesse de players do setor, funcionando como um catalisador para o alívio do balanço da companhia.
Comparativo com pares e perspectivas
No comparativo setorial, a Dasa negocia a múltiplos de 3,3 vezes EV/Ebitda, patamar descontado quando confrontado com o Fleury (FLRY3), que opera a 4,2 vezes. O mercado observa se o ponto de inflexão operacional, iniciado em 2025, será suficiente para sustentar uma normalização da rentabilidade nos próximos trimestres.
O foco dos investidores permanece na capacidade da gestão em converter o impulso operacional em fluxo de caixa livre. A transição para um modelo mais voltado a diagnósticos é vista como um passo positivo, mas a execução financeira ditará o ritmo da recuperação dos papéis.
Incertezas no horizonte de curto prazo
O que permanece em aberto é a velocidade com que a companhia conseguirá reduzir o seu endividamento em um patamar de Selic em 14,50%. A volatilidade observada sugere que o mercado ainda exige prêmios de risco elevados para carregar a tese, dada a sensibilidade da empresa aos ciclos de juros.
Daqui para frente, a atenção se volta aos próximos balanços trimestrais e a eventuais anúncios sobre a venda de ativos. A capacidade de manter a margem operacional enquanto se busca a desalavancagem será o termômetro para a confiança dos investidores.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





