A DWS, braço de gestão de ativos do Deutsche Bank, acaba de ampliar sua prateleira de produtos com o lançamento de dois ETFs (fundos de índice) de gestão ativa. Os novos fundos são focados em bônus corporativos denominados em euros, um de grau de investimento e outro de alto rendimento (high yield), e já estão listados na bolsa de valores alemã, a Deutsche Börse.

O movimento é um sinal claro da crescente aposta de grandes gestoras em estratégias que buscam ir além da simples replicação de um índice de mercado. Segundo reportagem da Forbes España, o objetivo declarado dos produtos é alcançar uma rentabilidade “moderadamente superior” à de seus respectivos benchmarks, os índices ICE BofA. A tese é que a gestão ativa pode agregar valor em um mercado de dívida corporativa cada vez mais complexo.

A fusão de dois mundos

O lançamento materializa uma tendência que ganha corpo no mercado global de capitais: a convergência entre a gestão passiva e a ativa. Os ETFs, que se popularizaram por sua estrutura de baixo custo, liquidez e transparência ao replicar índices, agora servem de veículo para a tomada de decisão de gestores de portfólio. A DWS combina a expertise de seus especialistas em ETFs da linha Xtrackers com seus gestores de crédito para operar os novos fundos.

A estratégia não é isolada. A própria DWS já havia lançado outros ETFs de gestão ativa para o mercado de ações no ano passado. A expansão para a renda fixa, no entanto, é particularmente notável. O movimento sugere que, para a gestora, a eficiência do invólucro de um ETF pode ser combinada com a busca por alfa — o retorno acima do mercado — que caracteriza a gestão ativa tradicional.

O desafio da renda fixa

Operar no mercado de dívida corporativa exige uma análise criteriosa de risco de crédito, duration e condições macroeconômicas. Uma abordagem puramente passiva pode ser rígida demais em cenários de volatilidade de juros ou de estresse de crédito. A aposta da DWS é que uma gestão ativa pode navegar por essas nuances de forma mais eficaz, justificando a estrutura do produto e potenciais custos ligeiramente maiores.

Ao mirar tanto o segmento de grau de investimento quanto o de alto rendimento, a gestora cobre uma parte relevante do espectro de crédito corporativo europeu. O sucesso da iniciativa será um termômetro importante para o apetite do investidor por esses produtos híbridos. Se a performance superar consistentemente os benchmarks após as taxas, o modelo tende a ser replicado por outros grandes players do continente.

Para o mercado, a mensagem é que a inovação no universo dos ETFs está longe de terminar. A fronteira entre as filosofias de investimento passiva e ativa torna-se cada vez mais fluida, com as grandes instituições financeiras buscando capturar o melhor de ambos os mundos para entregar valor aos seus clientes.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España