A crença de que elogiar os filhos constantemente é o caminho para forjar uma autoestima sólida está sendo questionada pela ciência. Uma série de estudos, compilados em reportagem do site espanhol Xataka, sugere que a quantidade de elogios é menos importante do que seu contexto e, principalmente, sua qualidade.
O debate não é sobre banir o elogio, mas refinar sua aplicação. A distinção crucial está entre elogiar a pessoa ("você é tão inteligente") e elogiar o processo ("você se esforçou muito nisso"). A evidência indica que a segunda abordagem é muito mais eficaz para construir resiliência e uma percepção saudável das próprias capacidades.
Processo, não pessoa
Um dos trabalhos mais robustos sobre o tema, um estudo longitudinal de Ulrich Orth que acompanhou 8.711 indivíduos do nascimento aos 27 anos, descobriu que a qualidade do ambiente familiar nos primeiros seis anos de vida é o fator que mais prevê a autoestima na vida adulta. Variáveis como a qualidade da criação, estímulo cognitivo e a ausência de estressores severos, como pobreza extrema, mostraram-se mais determinantes do que qualquer fator isolado, como o elogio verbal.
Outra pesquisa, que analisou 674 famílias, reforça a importância da "calidez parental" — definida como amor, apoio e aceitação — em detrimento do ato de elogiar. O estudo também aponta para uma dinâmica bidirecional: crianças com boa autoestima tendem a facilitar interações mais positivas com os pais, desafiando a ideia de que a autoestima é algo "fabricado" exclusivamente por eles.
A lição prática é que o foco deve estar no esforço e na ação, não em traços de personalidade. Um estudo que observou crianças de 1 a 3 anos e as reavaliou cinco anos depois constatou que aquelas que receberam mais elogios focados no processo desenvolveram uma visão mais maleável e saudável de suas habilidades. O elogio que funciona não é o que rotula a criança como "genial", mas o que reconhece e valoriza sua dedicação.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Xataka





