A Empiricus Research reconfigurou sua carteira recomendada de BDRs para setembro, um movimento que sinaliza uma leitura apurada das tendências nos mercados globais. A casa de análise removeu a gigante de serviços de petróleo SLB (antiga Schlumberger) e adicionou a refinaria Valero e o ETF Gold Miners. Ao mesmo tempo, aumentou a exposição à fabricante de semicondutores Micron.

A troca não é uma simples realocação de capital. A leitura é que, após a valorização recente dos ativos ligados à exploração de petróleo, a oportunidade agora reside em outras partes da cadeia de valor e em teses descorrelacionadas. A estratégia parece ser capturar valor em refino, proteger o portfólio com ouro e manter a aposta estrutural no ciclo de inteligência artificial.

Do poço à bomba

A saída de SLB, que tinha um peso de 10% na carteira, ocorre após uma forte performance impulsionada pela alta do petróleo. A Empiricus opta por realizar lucros e direcionar os recursos para a Valero, uma empresa focada em refino. A tese é que, com restrições na capacidade de refino global, as margens para as refinarias ocidentais tendem a se expandir.

Em outras palavras, a aposta deixa de ser no preço do barril de petróleo bruto e passa a ser no "crack spread" — a diferença entre o custo do óleo e o preço de venda dos derivados, como gasolina e diesel. É uma jogada mais sofisticada na dinâmica do setor de energia, que busca capturar lucros na etapa industrial do processo, e não na extração.

Chips, ouro e geopolítica

Os outros dois ajustes reforçam a visão de um cenário complexo. O aumento da posição em Micron, de 5% para 7,5%, é uma aposta na continuidade do ciclo de alta demanda por chips de memória (DRAM e HBM), essenciais para a infraestrutura de IA. Segundo a análise, o valuation da companhia continua atrativo diante do crescimento estrutural do setor.

Em contrapartida, a inclusão do ETF de mineradoras de ouro (Gold Miners) com 2,5% funciona como um contrapeso e um hedge. O ativo tende a se beneficiar de incertezas fiscais e geopolíticas, além de uma eventual queda nas taxas de juros nos Estados Unidos, que tornaria o ouro mais competitivo como reserva de valor.

A nova composição da carteira da Empiricus reflete a encruzilhada do investidor global: como equilibrar uma aposta de longo prazo e alta convicção, como a de IA, com a necessidade de se proteger das turbulências de curto e médio prazo. A combinação de refino, semicondutores e ouro desenha um portfólio que busca navegar tanto o crescimento secular da tecnologia quanto a volatilidade do cenário macroeconômico.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times