A migração internacional de indivíduos com alto patrimônio líquido deve atingir um novo recorde em 2026. Segundo levantamento da New World Wealth, cerca de 165 mil pessoas com fortuna superior a US$ 1 milhão devem trocar de país este ano, superando a marca de 140 mil registrada em 2025. O movimento, que ganha tração desde a pandemia, reflete uma busca global por estabilidade, segurança jurídica e eficiência tributária.
Para o Brasil, o cenário se mantém alinhado à tendência mundial. Famílias de alta renda continuam a priorizar Portugal e Estados Unidos como destinos principais para residência ou cidadania, conforme apontam consultorias especializadas. A movimentação alimenta uma indústria global de planejamento patrimonial e vistos que, segundo estimativas da IMI, movimentou US$ 40 bilhões em 2025.
O novo perfil da mobilidade global
A migração de grandes fortunas deixou de ser um fenômeno restrito a empresários de economias emergentes. O cenário atual envolve famílias de alta renda da Europa e dos Estados Unidos, que buscam diversificação patrimonial frente a incertezas políticas locais. A consultoria New World Wealth define como milionários aqueles com patrimônio líquido superior a US$ 1 milhão, excluindo a residência principal, enquanto o grupo dos ultramilionários detém acima de US$ 30 milhões.
Este êxodo recorde pressiona governos a recalibrar suas políticas de atração. Enquanto a demanda cresce, a oferta de vistos de residência por investimento torna-se mais seletiva. O setor especializado, que hoje conta com mais de 1.200 empresas operando globalmente, enfrenta o desafio de navegar em um ambiente onde países como Espanha e Argentina restringiram ou encerraram programas de residência para investidores.
Portugal e EUA sob nova ótica
Portugal consolidou-se na última década como a principal porta de entrada para brasileiros na Europa, atraindo investidores pela estabilidade institucional e facilidade linguística. Contudo, o governo português endureceu recentemente as regras, ampliando de cinco para dez anos o prazo necessário para a obtenção da cidadania, o que altera o cálculo de custo-benefício para novos imigrantes.
Nos Estados Unidos, o programa EB-5 permanece como o principal instrumento de atração, exigindo investimentos produtivos mínimos de US$ 800 mil. O país abriga cerca de um terço dos ultramilionários do mundo, mantendo seu papel central na gestão de fortunas, mesmo com a expectativa de mercado para um possível aumento no patamar mínimo de investimento exigido pelo governo federal nos próximos meses.
Tensões e mudanças de rota
A geopolítica tem forçado uma reavaliação constante dos destinos. Dubai, que atuava como um polo central para investidores do Sul da Ásia e Oriente Médio, viu sua atratividade ser questionada devido à escalada das tensões no Golfo. Esse cenário de volatilidade regional impulsiona o redirecionamento de capital para jurisdições percebidas como mais seguras.
Para o Brasil, a saída contínua de capital humano e financeiro de alta renda levanta questões sobre a retenção de talentos e o planejamento sucessório das famílias locais. O desafio para o ecossistema brasileiro é identificar como a perda de liquidez e de lideranças empresariais pode impactar o investimento doméstico a longo prazo.
O que observar no horizonte
A incerteza sobre a longevidade dos programas de residência por investimento é o principal fator de risco para o setor. O endurecimento das políticas em países europeus e a possibilidade de novos patamares de entrada nos EUA sugerem que a migração de fortunas ficará cada vez mais cara e burocrática.
O mercado de planejamento internacional continuará a ser monitorado pela capacidade de adaptação dos investidores às novas exigências regulatórias. A questão central para os próximos anos reside em saber se os destinos tradicionais conseguirão manter o fluxo de capital sem sacrificar a estabilidade política e social que os tornou atraentes originalmente.
O cenário aponta para uma reconfiguração da mobilidade das elites globais, onde a flexibilidade de residência se torna um ativo tão relevante quanto a própria diversificação de ativos financeiros. A forma como os países responderão a essa pressão migratória definirá o fluxo de capital para a próxima década.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





