Para a Petrobras, o evento mais relevante do ano não será a eleição presidencial, mas a definição sobre a exploração da Foz do Amazonas. A tese, defendida em um relatório recente dos analistas Jorge Gabrich e Pedro Nascimento, do Scotiabank, reposiciona o debate sobre o futuro da estatal: a questão fundamental é menos política e mais estratégica e operacional.
A análise, repercutida pelo Brazil Journal, argumenta que a nova fronteira exploratória é vital para sustentar os níveis de produção da companhia para além de 2032, quando seus campos atuais no pré-sal iniciarão um ciclo de declínio. Sem um novo motor de crescimento, a Petrobras enfrentaria uma retração estrutural. A Margem Equatorial, portanto, surge como a principal candidata para garantir a longevidade da produção.
O cálculo do novo pré-sal
Os números apresentados pelo Scotiabank para apenas uma das três subdivisões da bacia, a porção noroeste, são da ordem de um novo pré-sal. A estimativa aponta para um potencial de 4,7 bilhões de barris, com um pico de produção de quase 900 mil barris de óleo e gás por dia em 2038. Em termos de comparação, os campos de Búzios e Tupi, os maiores do país, produzem na casa de 1 milhão de barris diários cada.
O valor gerado seria igualmente expressivo. Considerando um preço médio de US$ 70 por barril de Brent, o valor presente líquido (VPL) do projeto alcançaria US$ 15,9 bilhões, adicionando cerca de R$ 6,65 por ação ao valuation da companhia. O investimento necessário, contudo, é monumental: um capex de US$ 36 bilhões, com o primeiro óleo previsto para 2033. A magnitude do projeto exige que a decisão final de investimento ocorra já no próximo governo, tornando o tema inescapável para qualquer gestão.
Risco e recompensa na fronteira
O ponto mais provocador da análise é que, hoje, o mercado precifica "zero" deste potencial. O preço da ação da Petrobras não embute qualquer otimismo com a nova fronteira. Caso se atribua uma chance de sucesso de 40% ao projeto, o preço-alvo da ação subiria, indicando um upside relevante. A leitura é que os investidores estão mais focados nos riscos de curto prazo do que na necessidade estratégica de longo prazo.
O principal risco, segundo os analistas, não é o licenciamento ambiental ou a disputa política, mas a viabilidade comercial. A incerteza reside em saber se a descoberta confirmada em Morpho pode ser desenvolvida na escala projetada. O paralelo com a vizinha Guiana, cujo PIB cresce a taxas de quase 50% ao ano impulsionado pelo petróleo da mesma margem geológica, serve como um poderoso lembrete do que está em jogo.
Enquanto o debate público sobre a Petrobras orbita em torno de dividendos, preços de combustíveis e governança, a análise do Scotiabank desloca o eixo para a questão mais fundamental: de onde virá o crescimento futuro da companhia. A resposta parece estar na Foz do Amazonas, uma aposta de altíssimo risco e recompensa ainda maior.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Brasil Journal Tech





