As perspectivas para as exportações brasileiras de carne de frango mantêm-se otimistas, mesmo diante da detecção de um terceiro foco de Doença de Newcastle em Santa Catarina. Segundo análise do Rabobank, a contenção dos casos em uma área geográfica restrita e a aplicação de acordos de regionalização por parte de importantes importadores tendem a evitar interrupções significativas nos embarques.

O Ministério da Agricultura confirmou o terceiro caso da doença viral, altamente contagiosa, em granjas de perus no estado catarinense, que é o segundo maior produtor de carne de frango do Brasil, líder global em exportações. As cidades afetadas — Nova Itaberaba, Coronel Freitas e Nova Erechim — estão localizadas em um raio de aproximadamente 20 quilômetros. Essa proximidade geográfica, destacada pelo Rabobank, é crucial para a estratégia de embargos, que têm se limitado às regiões específicas atingidas, minimizando o impacto geral para o país.

Análise do Cenário e Perspectivas

Wagner Yanaguizawa, especialista do Rabobank, avalia que as perspectivas para o setor permanecem favoráveis, especialmente devido à expectativa de que os acordos de regionalização evitem grandes percalços nas exportações. Os dados preliminares de outubro, referentes às quatro primeiras semanas do mês, já indicavam um crescimento de 15% nos embarques diários médios em comparação com o ano anterior. Esse aumento ocorreu mesmo com o setor já lidando com a situação desde a detecção do primeiro foco em 18 de outubro, o que gerou anúncios de embargos.

Yanaguizawa projeta que, embora as exportações possam enfrentar uma pressão inicial, a tendência é de recuperação rápida, desde que novos casos não surjam em áreas distantes do foco inicial. A agilidade na detecção do vírus, antes mesmo do surgimento de sintomas clínicos evidentes nas aves, por meio de um monitoramento ativo e intensificado após a confirmação do primeiro caso, demonstra a eficácia do sistema preventivo brasileiro. Essa vigilância ativa permitiu identificar o segundo e o terceiro focos sem a manifestação clínica clara da doença, reforçando a capacidade de controle sanitário.

Impacto dos Embargos e Regionalização

Até o momento, a resposta internacional à doença tem sido variada. Apenas México e Malásia impuseram proibições em nível nacional ao frango brasileiro. Em contraste, mercados cruciais como China, Chile e Rússia optaram por restringir as compras apenas do estado de Santa Catarina. Essa abordagem de regionalização, também adotada por outros mercados relevantes como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Japão, Coreia do Sul, Filipinas, Reino Unido, Argentina, África do Sul, Egito, Canadá, Turquia e Vietnã, permite ao setor de exportação mitigar perdas.

A estratégia usual do setor de redirecionar embarques para áreas não afetadas pelos embargos sanitários tem se mostrado eficaz. Essa flexibilidade operacional é fundamental para manter o fluxo de exportações e a posição do Brasil como um fornecedor confiável no mercado global de carne de frango, mesmo em face de desafios sanitários.

Resiliência do Agronegócio Brasileiro

O agronegócio brasileiro, com seu robusto sistema de vigilância sanitária e capacidade de adaptação, tem demonstrado resiliência diante de eventos como a Doença de Newcastle. A rápida resposta e a colaboração entre órgãos governamentais e o setor privado são essenciais para gerenciar crises e manter a confiança dos mercados importadores. A capacidade de isolar e controlar focos de doenças, aliada a acordos de regionalização, permite que o país continue a abastecer o mundo com produtos de alta qualidade.

A situação atual reforça a importância da manutenção de altos padrões sanitários e da comunicação transparente com os parceiros comerciais. A confiança nos sistemas de controle brasileiros é um ativo valioso que precisa ser continuamente protegido e fortalecido.

Perguntas em Aberto e Futuro

A principal questão que paira sobre o setor é a possibilidade de novos focos da Doença de Newcastle surgirem fora da área já identificada em Santa Catarina. A contenção da doença em um raio de 20 km é um indicativo positivo, mas a vigilância deve permanecer em alerta máximo. O monitoramento contínuo e a rápida resposta a quaisquer sinais da doença serão determinantes para a manutenção da imagem sanitária do Brasil no exterior.

Observar a evolução das restrições impostas pelos países importadores e a capacidade do Brasil de manter a produção e a logística de exportação sem maiores contratempos será crucial nas próximas semanas. O desempenho das exportações nos meses seguintes fornecerá um quadro mais claro sobre o impacto real da doença e a eficácia das medidas de controle adotadas.

A capacidade do Brasil de navegar por esses desafios sanitários, mantendo sua posição de liderança nas exportações de frango, dependerá da contínua vigilância e da cooperação entre todos os elos da cadeia produtiva e os órgãos reguladores. A resiliência demonstrada até agora sugere um futuro promissor, mas a atenção aos detalhes e a prevenção serão sempre os pilares para o sucesso contínuo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times — Mercados