O arquiteto escocês Ruairidh Moir iniciou uma campanha pública para reconstruir a Glasgow School of Art, obra-prima de Charles Rennie Mackintosh devastada por incêndios em 2014 e 2018. A petição pede que um órgão independente assuma a gestão do projeto, uma resposta direta à declaração do conselho da escola de que não possui recursos para a obra sem ajuda externa.
O movimento coloca em xeque não apenas o desafio financeiro, mas a própria governança de um patrimônio cultural. O que está em jogo é a confiança na capacidade da instituição de zelar por seu maior ativo e como uma sociedade responde à perda de seus ícones arquitetônicos.
Um voto de desconfiança
A proposta da campanha é drástica: transferir a posse do edifício para uma nova entidade, que o arrendaria de volta à escola, garantindo sua função original. Para Moir, a medida é necessária porque o conselho da GSA “falhou continuamente” na proteção do prédio, gerando “pouca confiança” em uma nova tentativa sob a mesma liderança.
O argumento técnico também é forte. Moir sustenta que a vasta documentação sobre o edifício torna uma “restauração fiel” viável, rebatendo a tese de que o resultado seria um pastiche. A leitura é que a tecnologia e o conhecimento existem; o que falta é uma estrutura de governança e a vontade política para aplicá-los.
O designer Thomas Heatherwick traçou um paralelo com a reconstrução de Notre-Dame em Paris, afirmando que aceitar um futuro menor para a obra de Mackintosh seria um sinal de “preocupante falta de confiança cultural”. A comparação é inevitável: enquanto Paris respondeu ao fogo com ambição e união nacional, Glasgow corre o risco de deixar sua joia arquitetônica se tornar um monumento à inércia.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Dezeen Architecture





