O Goldman Sachs elevou a recomendação das ações da Usiminas (USIM5) de neutra para compra, estabelecendo um novo preço-alvo de R$ 10,50. A revisão reflete a percepção do banco de que a siderúrgica está estrategicamente posicionada para capturar a melhora na dinâmica de oferta e demanda do aço no Brasil, beneficiando-se de um cenário de reajustes de preços e barreiras comerciais mais rígidas.
Segundo relatório assinado pela equipe de análise liderada por Marcio Farid, a Usiminas possui uma alavancagem operacional superior à de seus pares, como CSN e Gerdau. A estimativa é que cada incremento de 1% nos preços realizados do aço resulte em um aumento de cerca de 8% no Ebitda da companhia, tornando-a o veículo mais eficiente para apostar na recuperação das margens do setor.
O impacto da mudança no fluxo de importações
A tese do Goldman Sachs fundamenta-se na reversão de uma tendência de pressão sobre as margens que assolou a indústria siderúrgica brasileira nos últimos anos. Dados recentes mostram uma queda de 42% nas importações de aço plano em abril, com a participação da China recuando de 69% para 46%. Essa mudança estrutural, impulsionada por barreiras comerciais e pelo aumento dos custos de frete internacional, cria um ambiente mais favorável para a produção local.
O banco projeta que a combinação de menor concorrência externa e custos globais elevados sustentará novos reajustes de preços ao longo do segundo semestre. Após os aumentos de 7% em janeiro e 5% em abril, a expectativa é de que a resiliência do mercado doméstico permita à Usiminas recompor suas margens operacionais de forma mais agressiva do que o esperado pelo consenso de mercado.
Alavancagem operacional e projeções financeiras
A sensibilidade da Usiminas ao preço do aço é o motor central da revisão das estimativas financeiras. O Goldman Sachs elevou as projeções de Ebitda para 2026, 2027 e 2028 em até 70%, posicionando-se significativamente acima das estimativas correntes do mercado. A projeção aponta para um Ebitda de R$ 2,9 bilhões em 2026 e R$ 4 bilhões em 2027, acompanhado por um lucro líquido de R$ 2,4 bilhões no mesmo período.
Além do ganho operacional, o banco sinaliza que a empresa possui espaço para otimizar a estrutura de capital, citando o potencial uso de juros sobre capital próprio (JCP) para reduzir a base tributável e elevar o retorno aos acionistas. Embora não faça parte do cenário-base, essa possibilidade representa um opcional interessante para o investidor, caso a geração de caixa se confirme nos patamares projetados.
Riscos e incertezas no radar
Apesar do otimismo, o cenário não está isento de riscos. O banco ressalta que uma eventual retomada mais forte das exportações chinesas poderia pressionar novamente os preços locais. Além disso, a necessidade de investimentos contínuos na unidade de mineração e a possibilidade de resultados abaixo do esperado no segmento de minério de ferro permanecem como pontos de atenção para o monitoramento da tese de investimento.
O mercado aguarda agora a confirmação dos próximos reajustes de preços no segundo semestre para validar a sustentabilidade da estratégia. A capacidade da companhia de manter a disciplina operacional enquanto navega pela volatilidade dos custos de produção será o fiel da balança para a concretização das metas estabelecidas pelo banco.
Perspectivas para o setor siderúrgico
A trajetória da Usiminas reflete uma tentativa de normalização em um setor que enfrentou anos de desindustrialização e perda de participação de mercado para produtos importados. A eficácia das medidas de proteção comercial e a demanda dos setores automotivo e de construção civil serão determinantes para o sucesso dessa recuperação.
O comportamento das ações da Usiminas nos próximos trimestres servirá como termômetro para a confiança dos investidores na indústria de base brasileira. O mercado monitora se a melhora nas margens será acompanhada por uma disciplina financeira rigorosa ou se a volatilidade externa continuará a impor desafios estruturais à rentabilidade da siderúrgica.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





