O impacto financeiro da guerra no Irã para o cidadão comum americano ultrapassou a marca de US$ 1.000 por domicílio, segundo cálculos do economista-chefe da Moody's, Mark Zandi. Embora as negociações de cessar-fogo avancem lentamente, o custo acumulado desde fevereiro reflete uma combinação de preços elevados na bomba de combustível, pressões inflacionárias na cadeia de suprimentos e o peso direto dos gastos militares financiados por impostos.

A análise de Zandi sugere que este valor é uma estimativa conservadora, dado que as repercussões macroeconômicas de um conflito dessa magnitude tendem a apresentar uma cauda longa de despesas. Enquanto os preços do petróleo bruto começaram a recuar com a diminuição das tensões, a normalização dos custos ao consumidor ainda enfrenta gargalos logísticos e a rigidez dos preços em setores essenciais da economia doméstica.

A conta do combustível e do transporte

O principal motor do custo para as famílias americanas tem sido a volatilidade no Estreito de Ormuz. O fechamento intermitente da via, crucial para o fluxo global de petróleo, elevou o preço médio do galão de gasolina para US$ 3,84, um aumento de cerca de 23% em relação ao ano anterior. Zandi estima que, desse montante de mil dólares, US$ 300 são atribuíveis diretamente ao gasto extra com combustível para veículos pessoais.

A inflação de custos estende-se para além do carro de passeio. O diesel, essencial para o transporte de cargas e maquinário agrícola, sofreu aumentos ainda mais acentuados, elevando o preço de alimentos e bens de consumo. Segundo a análise, o efeito cascata nas passagens aéreas e no custo do frete de produtos básicos adicionou, respectivamente, US$ 100 e US$ 200 à conta de cada lar, evidenciando como a logística global é sensível a choques no Oriente Médio.

Impacto na política monetária e juros

O conflito alterou as expectativas para a política monetária do Federal Reserve. A pressão inflacionária gerada pela guerra forçou o mercado a precificar a manutenção ou o aumento das taxas de juros, revertendo expectativas anteriores de cortes. Este cenário encarece o serviço de dívidas, desde cartões de crédito até financiamentos imobiliários e automotivos, representando um custo adicional de US$ 150 por domicílio.

Além disso, a carga tributária para sustentar o esforço militar é uma realidade crescente. O Pentágono solicitou recentemente US$ 80 bilhões adicionais para cobrir despesas de munição, reparos em 20 locais atingidos e a reposição de aeronaves perdidas. Para o contribuinte, isso se traduz, por ora, em um encargo direto de US$ 250, valor que tende a crescer conforme as necessidades de reconstrução e manutenção da presença militar na região se consolidam.

Perspectivas de longo prazo

Especialistas alertam que o custo de uma guerra raramente se encerra com a assinatura de um tratado de paz. Linda Bilmes, da Harvard Kennedy School, projeta que, considerando gastos com veteranos, reposição de estoques e reparos de infraestrutura, o impacto total na economia dos EUA pode superar US$ 1 trilhão. Se diluída entre os 134 milhões de domicílios americanos, essa cifra representaria um custo per capita de US$ 7.500.

O desafio para os formuladores de política econômica reside na incerteza sobre a velocidade da descompressão desses preços. Fatores como o custo de fertilizantes e hélio, cruciais para a agricultura e a indústria de semicondutores, indicam que a inflação induzida pelo conflito pode persistir por mais tempo do que o esperado inicialmente.

Incertezas no horizonte

O cenário permanece nebuloso no que diz respeito à estabilização dos preços de energia e à capacidade do governo de absorver os custos militares sem novos impactos fiscais. A questão central é se o custo econômico suportado pelas famílias será compensado por uma estabilidade geopolítica duradoura ou se a conta continuará a crescer mesmo após o cessar-fogo definitivo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune