O HSBC revisou suas projeções para a taxa Selic e agora espera que os juros permaneçam em 14,25% até o início de 2027. Embora ainda veja espaço para um corte de 0,25 ponto percentual na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta-feira, o banco avalia que o aumento dos riscos inflacionários deve forçar uma pausa prolongada no ciclo de flexibilização monetária.

Em relatório divulgado nesta segunda-feira, o economista-chefe do HSBC para o Brasil, Daniel Lavarda, afirma que o Banco Central deve reduzir a taxa básica de juros de 14,50% para 14,25%, mas adotar um tom mais duro em sua comunicação diante da deterioração do cenário para a inflação. A mudança de avaliação levou o HSBC a revisar sua projeção para a Selic ao fim de 2026, de 13,25% para 14,25%, com cortes retomados apenas no primeiro trimestre de 2027.

Contexto da mudança nas expectativas

O mercado financeiro reduziu drasticamente suas apostas em cortes contínuos na taxa básica de juros. Segundo o HSBC, a probabilidade implícita de um corte de 0,25 ponto percentual, que chegou a atingir 94% semanas atrás, despencou para 24% recentemente, antes de uma recuperação parcial para 57% nos últimos dias.

Essa volatilidade na precificação reflete três fatores principais: a desvalorização recente do real, a piora das expectativas de inflação captadas pelo Relatório Focus e a instabilidade dos preços do petróleo em meio às incertezas geopolíticas no Oriente Médio. Para o banco, o balanço de riscos para a inflação piorou substancialmente desde a última reunião do Copom.

O mecanismo da pausa monetária

Para o HSBC, o principal destaque da reunião deve ser a mensagem que acompanhará o anúncio da decisão. A expectativa é que o Banco Central abandone a narrativa de ajustes graduais e indique de forma explícita que uma interrupção do ciclo de cortes já em agosto é o cenário-base, reconhecendo uma assimetria altista para a convergência dos preços à meta.

Entre os fatores de preocupação citados estão a política fiscal mais expansionista, possíveis mudanças na legislação trabalhista que podem elevar custos para as empresas e a crescente influência do cenário eleitoral sobre os ativos brasileiros. O banco entende que o corte esperado para esta semana deve marcar o encerramento do atual ciclo de afrouxamento.

Riscos climáticos e implicações futuras

O HSBC chama atenção para riscos climáticos e energéticos. Na avaliação da instituição, o fenômeno El Niño pode se tornar o principal vetor de pressão inflacionária no segundo semestre de 2026, com modelos climáticos apontando para um evento potencialmente mais intenso do que a média histórica, o que pressionaria os preços dos alimentos e da energia elétrica.

Ao mesmo tempo, os riscos ligados ao petróleo seguem elevados. Embora os preços da commodity tenham recuado recentemente, o banco avalia que um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz ou dificuldades na normalização dos fluxos da região podem provocar novas altas ao longo dos próximos meses, mantendo o ambiente inflacionário desafiador.

Incertezas no horizonte

O que permanece incerto é a capacidade da autoridade monetária de ancorar as expectativas sem sacrificar excessivamente a atividade econômica. A persistência de uma taxa de juros em patamares elevados por um período prolongado pode restringir o crédito e impactar o investimento privado nos próximos trimestres.

O mercado aguarda agora a ata da reunião para entender se o Banco Central manterá a Selic em 14,25% por um período prolongado, aguardando maior clareza sobre o comportamento da inflação e dos riscos para 2027, ou se a pressão política e econômica forçará uma revisão ainda mais drástica.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times