A marca de 300 mil pontos para o Ibovespa não é um cenário-base, mas uma possibilidade atrelada a uma condição singular: a eleição de um governo comprometido com a responsabilidade fiscal em 2026. A avaliação é de Rogério Freitas, head de investimentos da gestora ASA, que vê o pleito como um divisor de águas para o mercado de capitais brasileiro.
Segundo reportagem do Money Times, a projeção, que demandaria de 12 a 18 meses para se materializar após a eleição, depende fundamentalmente da restauração da confiança dos investidores nas contas públicas. A leitura é que o foco dos mercados, antes concentrado em fatores globais, migra de forma decisiva para a arena doméstica, onde a política fiscal ditará o humor dos ativos.
O fiscal no centro do debate
Para a ASA, a discussão que dominará o segundo semestre não será sobre nomes, mas sobre modelos de Estado. De um lado, um Estado maior, financiado por mais impostos; de outro, um com crescimento mais contido. A gestora argumenta que o atual quadro de gastos públicos elevados explica em parte a resiliência da inflação e a necessidade de o Banco Central manter a taxa Selic em patamares restritivos por mais tempo, minando a eficácia da política monetária.
A trajetória da dívida pública é o ponto nevrálgico da análise. Com a dívida bruta próxima de 83,5% do Produto Interno Bruto (PIB), a projeção da ASA aponta para um patamar de 100% em quatro anos, caso as condições atuais se mantenham. Freitas classifica esse equilíbrio como "insustentável" para a economia brasileira.
O plebiscito dos ativos
O mercado, segundo a gestora, deve precificar diretamente o perfil fiscal do próximo presidente. Um candidato percebido como fiador do equilíbrio das contas tenderia a provocar uma valorização da bolsa, o fechamento da curva de juros e a apreciação do real. Nesse cenário, os ativos de risco locais seriam os grandes beneficiados.
Na direção oposta, a vitória de um nome visto como menos comprometido com a austeridade fiscal teria o dólar como principal refúgio de valor, em detrimento dos ativos brasileiros. A disputa, no entanto, permanece aberta. A ASA acredita que a eleição será definida por uma pequena parcela de eleitores indecisos, os chamados "swing voters", que tendem a decidir o voto apenas na reta final.
No fundo, a projeção dos 300 mil pontos funciona menos como uma previsão e mais como um termômetro. Ela mede o prêmio que o mercado está disposto a pagar por uma gestão fiscal que ancore as expectativas, transformando a eleição de 2026 em um plebiscito sobre o futuro do capital no Brasil.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times



