A bolsa brasileira está barata, mas vale a pena comprar agora? Para Ricardo Peretti, estrategista de ações da Santander Corretora, a resposta é sim. Segundo reportagem do Money Times, o cenário atual justifica uma recomendação de compra para o Ibovespa, mesmo diante de um horizonte turvo com incertezas fiscais, ruído eleitoral e juros elevados.
A tese central é a da assimetria: o prêmio pelo risco parece favorável. O principal índice da B3 negocia a um múltiplo de 8,4 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, um desconto de cerca de 20% em relação à sua média histórica de 10,5 vezes. É este "colchão" no valuation que sustenta o otimismo cauteloso do banco.
O cálculo do desconto
O desconto de 20% no preço é o principal argumento para justificar a entrada no mercado acionário brasileiro neste momento. Com base nessa premissa, a Santander Corretora estabelece um preço-alvo de 195 mil pontos para o Ibovespa ao final de 2026, indicando que o risco, na visão da casa, é de uma alta ainda maior.
Contudo, a análise não ignora os ventos contrários. Peretti aponta que a trajetória dos juros a partir de setembro é uma incógnita, atrelada às dúvidas sobre a política fiscal do governo a partir de 2027 e ao cenário eleitoral. No curto prazo, a falta de catalisadores claros deve manter o índice oscilando entre 170 mil e 180 mil pontos.
O fator gringo e a tese de rotação
Mesmo com os desafios domésticos, o investidor estrangeiro parece dar um "benefício da dúvida" para a bolsa brasileira, segundo o estrategista. Após uma saída líquida em maio e junho, o fluxo voltou a ser positivo em julho, com R$ 3,3 bilhões injetados na B3. No acumulado do ano, o saldo é positivo em mais de R$ 41 bilhões, sinalizando que os níveis de preço atuais são considerados atrativos.
A dinâmica internacional também pode jogar a favor. Uma eventual perda de fôlego no rali das ações de inteligência artificial nos Estados Unidos poderia levar investidores a rotacionar capital para outros mercados. Nesse cenário, Peretti avalia que a B3 seria uma das principais bolsas emergentes a capturar esse movimento, servindo como uma alternativa para diversificação.
Por enquanto, a aposta no Ibovespa é um exercício de paciência. A tese de compra se baseia na expectativa de que, em algum momento, o desconto de valuation se fechará. O desafio é que, no curto prazo, não há gatilhos óbvios no horizonte para destravar esse valor, deixando o investidor com um ativo barato nas mãos, mas sem um caminho claro para sua valorização imediata.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





