Quase metade dos investidores globais, cerca de 49%, está ativamente aumentando a diversificação geográfica para além dos Estados Unidos, motivada pela expectativa de um aumento na volatilidade dos mercados nos próximos meses. Segundo o 'Estudio Global de Perspectivas de Inversión' da Schroders, a prioridade atual é a proteção contra quedas e a preservação do capital, com 89% dos entrevistados destacando a diversificação como pilar fundamental de suas estratégias.
Este movimento reflete um cenário de cautela acentuado por tensões geopolíticas, incluindo a incerteza sobre a liderança global dos Estados Unidos e conflitos no Oriente Médio. A leitura aqui é que o mercado está precificando um ambiente de maior instabilidade, onde a dependência excessiva de um único polo econômico passou a ser vista como um risco estrutural para as alocações de longo prazo.
A ascensão da gestão ativa
Diante da volatilidade prevista, 87% dos investidores espanhóis, em linha com a tendência global, demonstram confiança na gestão ativa para alcançar seus objetivos nos próximos 12 a 18 meses. A estratégia busca reduzir o risco de concentração que muitas vezes é inerente aos índices de mercado passivos, permitindo uma seleção de ativos mais criteriosa em um contexto de preços de energia e matérias-primas pressionados.
O uso de ETFs ativos também ganha tração, impulsionado por custos menores e maior transparência. Enquanto investidores globais focam em small e mid-caps, o mercado europeu demonstra preferência por estratégias temáticas ou setoriais, sugerindo que a alocação de capital está se tornando mais granular e menos dependente de grandes índices de mercado.
Estratégias de proteção e renda
Para enfrentar a inflação, a preferência recai sobre estratégias 'long-short neutral' e investimentos sistemáticos. O crédito privado e os empréstimos diretos surgem como fontes de receita resilientes, enquanto os títulos corporativos com grau de investimento permanecem no radar como ativos de estabilidade.
Vale notar que a integração entre renda variável pública e privada tornou-se uma prática comum para 55% dos investidores, que buscam capturar valor tanto em empresas de capital aberto quanto em 'private equity' e 'venture capital' de forma coordenada.
Perspectivas e incertezas
A grande questão que permanece é se essa reorientação geográfica será suficiente para blindar as carteiras caso a desaceleração econômica global se materialize conforme o esperado. A transição para modelos de gestão mais ativos exige uma sofisticação operacional que pode desafiar investidores menos preparados.
O monitoramento dos próximos desdobramentos geopolíticos e das políticas monetárias será decisivo para validar se a fuga da concentração americana é uma tendência cíclica ou uma mudança estrutural duradoura na arquitetura dos investimentos globais.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





