A crescente dívida nacional dos Estados Unidos, que já ultrapassa os US$ 40 trilhões, é um ponto de preocupação para figuras proeminentes do setor financeiro, como Ken Griffin, CEO da Citadel. Em um evento em Nova York, Griffin declarou que a "casa fiscal está claramente desordenada" e que a solução não reside apenas em Washington D.C. A recente confirmação pelo Tesouro americano de um déficit de US$ 2 trilhões para o ano fiscal de 2026, com mais da metade proveniente de pagamentos de juros sobre a dívida, intensifica o debate sobre a saúde fiscal do país.

A visão de Griffin sobre a dívida e o crescimento

Griffin defende que o foco principal deve ser no "crescimento da economia". No entanto, ele estende essa necessidade de expansão aos aliados dos EUA, particularmente à Europa. "Vocês querem que nós paguemos pela sua defesa? Adivinhem? Vocês vão voltar a trabalhar", afirmou, criticando as limitações de horas de trabalho na França e a percepção de que os europeus esperam que os americanos garantam sua segurança sem uma contribuição proporcional em termos de esforço econômico. Na França, por exemplo, embora a semana de trabalho padrão seja de 35 horas, a legislação estabelece um limite máximo de 48 horas semanais (com média de 44 horas ao longo de 12 semanas). Essa estrutura, juntamente com pausas obrigatórias e um período de férias prolongado que muitos trabalhadores tiram em julho ou agosto, conhecido como "les grandes vacances", é o alvo da crítica de Griffin sobre a produtividade.

Produtividade e Defesa: Um Elo Crítico

A crítica de Griffin à produtividade europeia está ligada ao debate sobre gastos com defesa entre os países do G7. Enquanto os EUA investem cerca de 3,1% a 3,4% de seu PIB em defesa, o orçamento militar da França para 2027 está projetado para € 63,4 bilhões (US$ 71 bilhões), representando aproximadamente 2% de seu PIB. A sugestão de Griffin é que um maior esforço econômico europeu poderia aliviar a carga financeira sobre os americanos, tanto em termos de defesa quanto na contribuição para a estabilidade fiscal global. Ele argumenta que "o Ocidente inteiro está no mesmo barco" e que a saída para as atuais dificuldades econômicas passa por "aumentar o tamanho da torta para todos nós", em vez de "torturar uns aos outros".

Além da Europa: O Foco em Tecnologia e Inovação

Griffin reconhece que a melhoria da situação fiscal dos EUA não depende exclusivamente das ações de seus aliados. Ele também propõe um foco intensivo em tecnologias que impulsionem a produtividade, como a construção de data centers na América, o desenvolvimento da fusão nuclear e o avanço da robótica. "Precisamos de mais remos na água, precisamos de mais foco em fusão nuclear… precisamos de mais foco em robótica. Precisamos de mais foco nas tecnologias que liberarão a produtividade para os próximos 20 anos", disse. A melhoria da educação e uma política de imigração que atraia "cada pessoa brilhante do mundo" também são vistas como cruciais para o crescimento econômico americano.

Perguntas em Aberto e o Caminho Adiante

A perspectiva de Ken Griffin lança luz sobre as complexas interconexões entre dívida nacional, crescimento econômico e cooperação internacional. A crítica à baixa produtividade europeia, embora provocativa, levanta questões sobre a sustentabilidade dos modelos econômicos e a divisão de responsabilidades em um cenário geopolítico e econômico global desafiador. A eficácia de políticas focadas em aumentar horas de trabalho versus investir em inovação tecnológica para impulsionar a produtividade permanece um debate aberto. A forma como os EUA e seus aliados responderão a esses desafios fiscais e econômicos definirá o futuro da estabilidade financeira ocidental.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune