O mercado de logística de temperatura controlada registrou um volume de negócios de 6 bilhões de euros em 2025, uma expansão de 4,3% em relação ao ano anterior, segundo dados do Observatório Setorial DBK da Informa. Este desempenho reflete um movimento de profissionalização da cadeia de suprimentos, sustentado por uma crescente externalização de serviços críticos e pelo consumo resiliente de produtos refrigerados e congelados.
A expansão do setor não é uniforme, revelando uma preferência clara do mercado por operações de maior complexidade. Enquanto o transporte e a distribuição de produtos sob temperatura controlada representam a maior fatia do mercado, com 79,2% do total e um crescimento de 3,8%, o segmento de armazenagem destacou-se com uma evolução de 6,4%, atingindo 1,25 bilhão de euros. Essa dinâmica indica que as empresas estão investindo mais em infraestrutura física especializada para garantir a integridade dos produtos durante a estocagem.
A consolidação como estratégia de escala
A estrutura do setor de logística do frio atravessa um processo acelerado de concentração. As cinco maiores empresas do mercado detêm, juntas, uma fatia de 42,3%, enquanto as dez principais líderes acumulam 55,8% da receita total. Esse cenário de fusões e aquisições sugere que a escala é o principal diferencial competitivo, permitindo que grandes operadores absorvam a demanda de setores exigentes, como o varejo, o e-commerce e a indústria farmacêutica.
Paralelamente, a saída de operadores de menor porte do mercado reforça a barreira de entrada para novos competidores. A necessidade de tecnologia de monitoramento, conformidade regulatória rigorosa e infraestrutura de rede robusta cria um ambiente onde apenas empresas com capacidade de investimento massivo conseguem manter a eficiência operacional exigida pelos clientes finais.
O impacto da externalização
A crescente penetração dos serviços de controle de temperatura — agora representando 27,3% da receita total do mercado de transporte e armazenagem — aponta para uma mudança na estratégia das empresas. O que antes era tratado como uma função interna, muitas vezes ineficiente, passou a ser entregue a operadores especializados que oferecem escala e maior garantia de qualidade.
Esse fenômeno é particularmente visível na integração entre o e-commerce e a cadeia de frio, onde a velocidade e a precisão da entrega são vitais. A necessidade de manter a cadeia de frio ininterrupta exige que os prestadores de serviço logístico atuem como parceiros estratégicos, e não apenas como transportadores, o que justifica o dinamismo observado nas operações de armazenagem.
Desafios operacionais e humanos
O crescimento do setor também se reflete na força de trabalho, que já soma cerca de 25 mil profissionais. O aumento significativo do emprego nos últimos exercícios sinaliza que, apesar da automação crescente, a logística de temperatura controlada permanece como uma atividade intensiva em capital humano especializado.
A convivência entre grandes players e uma infinidade de pequenas empresas, especialmente no transporte, cria um ecossistema fragmentado na base, mas altamente concentrado no topo. A sustentabilidade desse modelo dependerá da capacidade do setor em continuar atraindo capital para modernizar a frota e os armazéns, mantendo a eficiência frente aos custos operacionais crescentes.
Perspectivas de mercado
O futuro da logística do frio dependerá da velocidade com que o setor conseguirá integrar novas tecnologias de monitoramento em tempo real e sustentabilidade energética. A pressão por processos mais eficientes e menos poluentes, somada à exigência de rastreabilidade completa, continuará a moldar o comportamento dos principais operadores nos próximos ciclos.
A questão central permanece sobre o ritmo de consolidação: até que ponto o mercado permitirá a coexistência de pequenos transportadores regionais diante da escala das grandes corporações? A resposta ditará o nível de serviço e os custos para o consumidor final em mercados cada vez mais dependentes da conservação térmica.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





