O ecossistema financeiro global enfrenta uma escalada contínua nas investidas cibernéticas e nas fraudes transacionais, impulsionada pelo uso de tecnologias emergentes como a Inteligência Artificial (IA) e pelo dinamismo dos meios de pagamento contemporâneos. Carlos Santa Cruz, CTO da Lyfense, avalia que esse cenário desafia as instituições financeiras a evoluírem suas defesas no mesmo ritmo em que novas ameaças surgem.

"O sistema financeiro se baseia na credibilidade que o cliente percebe e na robustez do sistema. Se o cliente percebe que existe muita fraude no sistema financeiro, ele preferirá não utilizar aquele meio. Por isso, todas as entidades financeiras querem que o sistema seja seguro, pois a fraude é um desafio global do setor que afeta diretamente a confiança do público", disse Santa Cruz, durante entrevista à TI Inside na Febraban Tech 2026. As abordagens de engenharia social tornaram-se mais velozes e refinadas com a automação, enquanto a instantaneidade dos pagamentos exige que a avaliação de risco ocorra em milissegundos, antes mesmo da autorização final da transação. Esse ritmo acelerado evidencia que a proteção eficaz do ecossistema depende do equilíbrio entre dados históricos e a análise em tempo real.

A IA como Ferramenta Essencial na Antifraude

A estratégia desenvolvida pela Lyfense busca ir além da simples detecção pontual de ameaças, adotando uma visão holística que abrange todo o ecossistema transacional. Em vez de focar apenas em ferramentas isoladas, o modelo privilegia a leitura contínua dos padrões de comportamento e a adaptação dinâmica às novas táticas de engenharia social e enganos digitais. Essa estrutura agnóstica se integra a diferentes meios e possibilita uma análise preditiva das operações. A inteligência artificial tem sido um desafio e uma resposta para prevenção das fraudes há mais de 25 anos. "Agora, o que nós estamos vendo é que existem outras ferramentas de IA que podem ajudar a resolver outros problemas. Utilizamos agentes de inteligência artificial para modificar as próprias ferramentas e para revisar os alertas gerados pela linguagem, fazendo um resumo para que o trabalho do analista seja mais fácil", acrescenta Santa Cruz.

Confiança e Segurança: Pilares da Credibilidade Financeira

Sob a perspectiva das instituições e de seus usuários finais, o impacto dessa abordagem reflete-se na preservação direta da confiança nas plataformas digitais. Ao assegurar um ambiente seguro sem impor barreiras desnecessárias às transações legítimas, a estratégia permite que os clientes desfrutem da praticidade dos meios de pagamento instantâneos com total serenidade. Dessa forma, a mitigação de riscos fortalece a fidelidade dos usuários e assegura a sustentabilidade das operações no mercado. A confiança do público é o ativo mais valioso para qualquer instituição financeira, e a fraude representa uma ameaça direta a esse pilar.

Desafios e Oportunidades na Era Digital

O posicionamento orientado à geração de valor contínuo impulsiona a expansão sólida da empresa no mercado corporativo. Ao atuar de forma colaborativa com grandes atores do ecossistema, a organização fortalece sua eficiência operacional e expande sua capacidade de resposta frente aos desafios do setor. O resultado é uma infraestrutura mais resiliente, capaz de proteger o volume de interações financeiras e subsidiar o desenvolvimento sustentável de novos serviços digitais. A adoção de tecnologias avançadas é, portanto, um imperativo estratégico.

O Futuro da Antifraude: Tecnologia e Inteligência Humana

Olhando para o futuro, o avanço das defesas cibernéticas dependerá cada vez mais da sinergia entre modelos tecnológicos avançados e a expertise humana na tomada de decisões estratégicas. "A tecnologia nos fornece a velocidade necessária para conter ameaças complexas em milissegundos, mas é a inteligência humana aplicada ao comportamento do cliente que garante a tomada de decisão correta, assegurando a combinação perfeita entre inovação, agilidade e segurança”, conclui o CTO. Essa colaboração é fundamental para manter a integridade e a credibilidade do sistema financeiro em um cenário de ameaças em constante evolução.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · TIInside