A reunião de chanceleres do Mercosul em Montevidéu terminou em impasse sobre a divisão da cota de 99 mil toneladas de carne bovina para a União Europeia. O encontro, convocado para destravar a negociação, apenas evidenciou a fratura no bloco.
De um lado, o Paraguai exige 25% da cota para cada membro. Do outro, Brasil, Argentina e Uruguai defendem um rateio proporcional ao histórico de exportações. Conforme reportagem do Money Times, a disputa transcende o comercial, sinalizando um complexo jogo de forças políticas.
A matemática da discórdia
A demanda paraguaia por 25% contrasta com seu histórico. Um acordo privado de 2004, por exemplo, previa apenas 7% do volume ao país, contra 42,5% para o Brasil. A leitura no campo diplomático é que a insistência de Assunção funciona como uma tática para obter vantagens em outras frentes, como na revisão do Tratado de Itaipu, transformando a cota de carne em moeda de troca para disputas estratégicas.
O risco do 'quem chegar primeiro'
Sem um acordo, a regra vigente é a de "primeiro a chegar, primeiro a ser servido", o que incentiva uma corrida individualista que enfraquece o bloco. A situação é agravada pelo veto sanitário da UE à carne brasileira, por conta do uso de antimicrobianos. Este fator adiciona urgência e altera o equilíbrio de poder na negociação da cota, pressionando o Brasil a ceder em outros pontos.
Os ministros marcaram uma nova reunião em até 60 dias, buscando um acordo político antes da cúpula de presidentes em dezembro. A questão que fica é se o impasse reflete uma disputa por fatias de mercado ou uma divergência mais profunda sobre a coesão e o futuro do próprio Mercosul.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





