Federico Miguel Vázquez Villasanti, um banqueiro de 36 anos, tornou-se a figura central de uma crise bancária que expôs fragilidades regulatórias no Paraguai. Fundador da fintech Ueno Bank e acionista majoritário do Grupo Vázquez — um conglomerado com dezenas de empresas em diferentes setores — ele é alvo de investigações por supostamente estruturar operações para mascarar empréstimos irregulares com partes relacionadas. Segundo documentos sob apuração e a reportagem do InfoMoney, o Ueno Bank teria crescido de forma acelerada, acumulando bilhões de dólares em depósitos em poucos anos, enquanto realizava financiamentos a empresas ligadas ao próprio grupo do banqueiro, prática restrita pelas normas locais.
Como teria funcionado o esquema
Investigações apontam que Miguel Vázquez e executivos próximos teriam fragmentado a captação e a concessão de crédito para dificultar a fiscalização. Uma das táticas descritas envolveu contratos de compra e venda à vista que, na prática, teriam sido lastreados por recursos oriundos do próprio banco. De acordo com as apurações, mais de US$ 146 milhões em empréstimos foram direcionados a empresas vinculadas ao Grupo Vázquez por meio de intermediárias. Em um dos casos mencionados, cerca de US$ 74,4 milhões usados em uma transação teriam origem em crédito concedido pelo Ueno Bank, o que caracterizaria financiamento indireto vedado pelas regras prudenciais.
Impacto no Ueno Bank e resposta regulatória
O Ueno Bank, que vinha se consolidando como uma das principais instituições financeiras do país, viu sua situação se deteriorar após ajustes nos balanços durante um processo de fiscalização. O índice de solvência caiu para menos da metade do piso regulatório, segundo as informações divulgadas. Diante do quadro, o Banco Central do Paraguai abriu, em 2 de novembro, um procedimento de resolução bancária para organizar a destinação de ativos e passivos e preservar a estabilidade do sistema financeiro.
Repercussões e questionamentos públicos
A crise intensificou o escrutínio sobre relações entre o setor financeiro e o poder público no Paraguai. Parlamentares e autoridades passaram a questionar potenciais conflitos de interesse e a gestão de depósitos de órgãos públicos em instituições privadas, incluindo o Ueno Bank. As investigações em torno de empréstimos irregulares e de eventuais vínculos entre empresas do conglomerado e agentes públicos seguem em curso e podem ampliar o alcance do caso.
O que ainda falta esclarecer
Persistem dúvidas sobre a extensão das operações com partes relacionadas, o mapeamento completo dos beneficiários finais e o impacto sobre depositantes e credores. Também seguem em aberto detalhes sobre a liquidação de ativos e o cronograma de ressarcimento, bem como eventuais responsabilizações civis e criminais. A confiança no sistema financeiro local deve ser testada enquanto autoridades procuram restaurar transparência e estabilidade.
Com reportagem do InfoMoney (https://www.infomoney.com.br/mundo/ueno-bank-quem-e-miguel-vazquez-fundador-do-banco-que-levou-a-crise-no-paraguai/)
Source · InfoMoney





