O governo das Ilhas Baleares, na Espanha, abriu a porta para modificar o Imposto de Turismo Sustentável (ITS), uma taxa cobrada de visitantes para mitigar os impactos da atividade na região. O movimento do Partido Popular (PP), que comanda o governo local, é uma resposta a uma iniciativa da oposição socialista (PSIB) que propõe elevar a taxa durante os meses de alta temporada.
A discussão, reportada inicialmente pela Forbes España, pode parecer uma querela política local, mas é um microcosmo de um dos debates mais urgentes do setor de viagens: como gerenciar o “overtourism”. O arquipélago, que inclui destinos como Ibiza e Mallorca, tornou-se um laboratório para políticas que tentam equilibrar os benefícios econômicos do turismo com seus custos ambientais e sociais, uma dinâmica cada vez mais presente em destinos saturados ao redor do mundo.
O laboratório das Baleares
O Imposto de Turismo Sustentável não é uma novidade, mas sua calibração está em constante disputa. A proposta do governo, segundo o porta-voz Sebastià Sagreras, seria mais complexa: aumentar a taxa na alta temporada, reduzi-la na baixa e isentar os próprios residentes das ilhas. A lógica é modular o fluxo de turistas e aliviar a pressão sobre a infraestrutura em períodos críticos, ao mesmo tempo que oferece um alívio para a população local.
A crítica do PP à oposição é que os socialistas, quando estavam no poder, não aplicaram as medidas que agora defendem. Independentemente da retórica política, o fato é que a ferramenta do imposto está sendo seriamente considerada como um mecanismo de gestão de demanda, e não apenas como uma fonte de arrecadação. A questão central é encontrar o ponto de equilíbrio que não afugente os turistas, mas que financie a sustentabilidade que, no fim, é o próprio ativo que eles buscam.
O dilema da sustentabilidade
O que acontece nas Baleares serve de espelho para outros paraísos sob pressão. A discussão transcende a simples cobrança de uma taxa. Trata-se de internalizar as externalidades do turismo: o custo do tratamento de lixo, o consumo de água, o desgaste de vias públicas e a pressão sobre o mercado imobiliário local. Instrumentos como o ITS são uma tentativa de fazer com que o próprio setor financie a mitigação de seu impacto.
Embora o contexto político e fiscal brasileiro seja distinto, as pressões enfrentadas por destinos como Fernando de Noronha, Rio de Janeiro ou cidades do litoral nordestino não são diferentes em sua essência. A busca por um modelo de turismo que seja economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente responsável é um desafio global. A experiência das Baleares mostra que não há respostas fáceis e que a negociação política sobre quem paga a conta é um processo contínuo.
O debate no parlamento balear é menos sobre se o turismo deve pagar por seu impacto e mais sobre como, quanto e quando. A resposta que emergir de lá será observada de perto por gestores públicos em todo o mundo que enfrentam o mesmo dilema: como não matar a galinha dos ovos de ouro, enquanto se garante que o ninho permaneça intacto para as próximas gerações.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





