Acumular as cadeiras de Chief Marketing Officer (CMO) e Chief Operating Officer (COO) em uma empresa de capital aberto como a Toast, gigante de tecnologia para restaurantes, parece uma receita para o esgotamento. Para Kelly Esten, no entanto, a solução não foi trabalhar mais, mas sim abrir mão de mais trabalho.

Em uma entrevista à revista Fortune, a executiva detalhou a filosofia de gestão que lhe permite navegar pela dupla função: uma disciplina rigorosa de delegar e empoderar suas equipes. A tese central é que, para operar em nível estratégico, um líder precisa abandonar a execução. "Eu posso supervisionar, mas não posso mais fazer o trabalho", afirmou Esten.

A disciplina de não fazer

Com nove anos de casa, Esten conhece a Toast em profundidade, mas entende que seu valor não está mais nos detalhes operacionais. A chave para sua gestão é a consciência de que, se as decisões dependem rotineiramente de sua aprovação, ela se torna o gargalo que impede a organização de avançar. A solução é dar mais autoridade à equipe.

Essa transferência de poder, contudo, só funciona se acompanhada de contexto. Não se trata de uma abdicação, mas de uma capacitação deliberada. Para Esten, a delegação eficaz exige que os times tenham informação suficiente para tomar decisões de alta qualidade de forma autônoma, um desafio comum para líderes que precisam escalar sua influência sem se multiplicar.

Comunicação como ferramenta de escala

Para fornecer esse contexto, Esten adota uma prática de comunicação transparente e constante. Ela envia dois informes semanais — um para a equipe de marketing e outro para a organização de enterprise — compartilhando suas prioridades e reflexões. Essa rotina garante que todos tenham a visibilidade necessária para operar sem sua intervenção direta.

Essa abordagem não apenas otimiza seu tempo, mas também cria uma cultura de autonomia e responsabilidade. Ao compartilhar o "porquê" por trás das decisões, ela permite que suas equipes alinhem suas próprias ações à estratégia geral da companhia, tornando a gestão mais escalável e resiliente.

O modelo de Esten na Toast sinaliza uma possível evolução na estrutura do C-suite. Em um cenário onde a inteligência artificial promete borrar ainda mais as fronteiras entre funções, a capacidade de liderar através de silos — e, crucialmente, saber quando se afastar — pode se tornar a habilidade definidora de uma nova geração de executivos.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune