A onipresença de Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas convenções nacionais do PL e do PSD, ainda que em uma delas pela ausência, sinaliza sua consolidação como o principal ativo político da direita brasileira. O governador de São Paulo participou do evento que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, mas sua recusa em comparecer à convenção de Ronaldo Caiado (PSD) após ter sua imagem atrelada à campanha do goiano expõe a complexidade de seu jogo político.

O movimento não é trivial. Trata-se de uma demonstração de força e de uma delimitação de território. A leitura é que Tarcísio busca um equilíbrio delicado: capitalizar seu apoio no campo conservador sem se tornar um ativo exclusivo de uma única candidatura presidencial. Sua estratégia parece ser a de um aliado poderoso, mas não a de um subordinado, mantendo o controle sobre o uso de sua imagem e, por extensão, de seu capital político.

O Ativo e a Estratégia

A cobiça em torno de Tarcísio tem fundamento numérico. Segundo pesquisa Datafolha recente, o governador lidera a disputa pela reeleição em São Paulo com 46% das intenções de voto, 16 pontos à frente de Fernando Haddad (PT). Sua gestão é aprovada por 45% dos paulistas. Esses índices, no maior colégio eleitoral do país, o transformam em um parceiro indispensável para qualquer projeto nacional.

O episódio com o PSD, que teria divulgado uma peça publicitária unindo as imagens de Tarcísio e Caiado, foi o teste de estresse dessa estratégia. Segundo apuração do jornal O Estado de S. Paulo, o incômodo no Palácio dos Bandeirantes com a associação não autorizada levou ao cancelamento da presença do governador. A mensagem foi clara: o apoio tem condições e limites, e Tarcísio não pretende ver sua popularidade diluída ou instrumentalizada por campanhas alheias.

O Jogo Paulista vs. o Jogo Nacional

O cálculo de Tarcísio parece priorizar o cenário doméstico. Como favorito à reeleição, seu principal objetivo é manter uma coalizão ampla em São Paulo, o que exige diálogo com forças que, no plano nacional, são concorrentes. Um envolvimento profundo e exclusivo com a campanha de Flávio Bolsonaro poderia fechar portas e comprometer a governabilidade de um eventual segundo mandato.

Para os presidenciáveis, a lógica é outra. Flávio Bolsonaro precisa da imagem de Tarcísio para ampliar seu apelo e herdar parte de sua aprovação como gestor. Ronaldo Caiado, por sua vez, busca na associação com o governador paulista um selo de viabilidade para se firmar como alternativa no campo da direita. Tarcísio se beneficia dessa disputa, mas sabe que seu valor reside justamente em sua capacidade de não se deixar capturar por completo.

O governador se posiciona como um poder gravitacional, atraindo os diferentes projetos da direita, mas sem se fundir a nenhum deles. A questão que se impõe não é apenas quem ele apoiará, mas sob quais termos e a que custo para os candidatos que buscam sua chancela. A gestão desse ativo político definirá parte importante da corrida presidencial.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney