Uma nova pesquisa do instituto Quaest, contratada pelo jornal O Globo e pela TV Globo, traz um retrato complexo para o Palácio do Planalto na largada da corrida presidencial de 2026. Em simulações de segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) só consegue uma liderança fora da margem de erro contra um adversário: o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).

No confronto direto com Zema, Lula marca 45% das intenções de voto, contra 33% do mineiro — uma vantagem de 12 pontos, bem acima da margem de erro de dois pontos percentuais. O cenário, no entanto, é a exceção. Contra todos os outros nomes testados, a disputa se dá no campo do empate técnico, revelando a resiliência de um teto para o presidente e a força latente do antipetismo.

O peso do bolsonarismo

A principal evidência da polarização persistente está no desempenho de Flávio Bolsonaro (PL). O senador aparece numericamente à frente de Lula, com 42% contra 40% do presidente, uma inversão do empate técnico registrado na semana anterior. O dado sugere que a base de apoio construída por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, permanece mobilizada e transferível, ao menos em parte, para um herdeiro político direto. A força do sobrenome parece, por ora, o aglutinador mais potente da oposição.

É nesse contexto que o desempenho de Zema se torna notável. Embora seja um governador de direita com alta aprovação em um estado-chave, ele não consegue, neste momento, consolidar o mesmo eleitorado que se alinha a um nome da família Bolsonaro. A leitura é que seu perfil, embora conservador, pode não ter a mesma capacidade de inflamar a militância antipetista mais aguerrida, resultando em uma performance inferior na disputa direta com Lula.

A fragmentação do campo alternativo

Os demais cenários testados pela Quaest reforçam a ideia de um campo opositor pulverizado. Contra o escritor Augusto Cury (Avante), Lula tem 38% e o adversário, 36%. Diante de Ronaldo Caiado (União Brasil), governador de Goiás, o placar é de 41% a 39%. Até mesmo contra Renan Santos (Missão), um dos fundadores do MBL, a disputa é apertada: 41% a 38%.

Esses números indicam que, embora exista um contingente significativo de eleitores buscando uma alternativa à polarização Lula-Bolsonaro, ainda não há um nome com força para romper a barreira e se consolidar. Cada um desses candidatos parece atrair uma fatia do eleitorado, mas nenhuma delas é suficiente para criar uma vantagem clara. Para Lula, o desafio é expandir sua base para além dos atuais 40%; para a oposição, a tarefa é encontrar uma figura que una as diferentes vertentes do descontentamento.

A eleição de 2026 está distante, e os cenários são fluidos. Contudo, a pesquisa oferece um mapa inicial claro das forças em jogo. A disputa não será definida apenas pela aprovação do governo, mas pela capacidade da oposição de se unificar em torno de um projeto que vá além da simples negação do PT.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney