A Pantone, autoridade global em sistemas de cores, acaba de adicionar 224 novos tons à sua paleta. O lançamento, o primeiro desde 2022, representa um afastamento dos cinzas quentes e neutros que marcaram a última atualização e um mergulho em matizes mais ousados e saturados. A novidade foi reportada pelo portal americano Fast Company.

Mais do que uma simples expansão de catálogo, o movimento da Pantone funciona como um sismógrafo cultural. A tese é que a era do minimalismo — dos beges, tons pastel e da sobriedade comercial — está dando lugar a um maximalismo intencional. A força motriz por trás dessa mudança, segundo a própria empresa, é a Geração Z e sua relação visceral com a identidade no ambiente digital.

A Geração Z como bússola cromática

Onde gerações anteriores, como os millennials, foram condicionadas a uma estética de neutros e paletas discretas, a Geração Z utiliza a cor de forma diferente. Para este coorte, que amadureceu em meio à cultura da internet, a cor não é apenas decoração, mas uma ferramenta de comunicação e autoexpressão. O objetivo é se destacar em um “mar de mesmice”, como define Laurie Pressman, vice-presidente do Pantone Color Institute.

Nesse contexto, a escolha de um tom vibrante ou de uma combinação inusitada torna-se um ato de identidade visual. A análise do instituto sugere que o uso da cor hoje é uma “atitude”, com um entendimento claro do simbolismo e da mensagem que cada matiz carrega. A paleta de uma marca ou de um criador de conteúdo passa a ser tão importante quanto seu tom de voz.

Do luxo silencioso à expressão explícita

As novas cores da Pantone chegam para desafiar a recente tendência do quiet luxury (luxo silencioso), que valoriza a contenção e a sofisticação discreta. Os tons escuros e neutros, antes considerados apostas seguras no mercado, estão “perdendo sua dominância” para contrastes mais altos e combinações não convencionais, aponta Pressman.

As paletas criadas para demonstrar os novos tons, como a “Desire for Pleasure” (com rosas, laranjas e verdes) e a “Beyond Boundaries” (com um toque retrofuturista), são a antítese da moderação. Elas evocam doces, flora e a estética do final dos anos 80 e 90, sugerindo que o que era considerado datado pode ser ressignificado como ousado.

O movimento da Pantone não cria a tendência, mas a codifica, dando a ela um selo de legitimidade. Para marcas, designers e estrategistas, o sinal é claro: a linguagem visual está se tornando mais explícita e expressiva. A questão não é mais se é preciso ser mais ousado, mas como fazê-lo de forma autêntica em um cenário cada vez mais saturado visualmente.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fast Company