As ações da Braskem despencaram nos últimos dias, culminando em uma das maiores quedas do Ibovespa nesta terça-feira. O gatilho foi a confirmação de que a petroquímica buscará uma recuperação extrajudicial para reestruturar uma dívida de US$ 10,9 bilhões (cerca de R$ 60 bilhões). Como consequência imediata, a B3 anunciou que os papéis da companhia serão excluídos de seus índices, um movimento que tende a intensificar a pressão vendedora.

O pedido de reestruturação não é um evento isolado, mas o clímax de uma crise multifacetada. A companhia enfrenta a combinação de um ciclo de baixa no setor petroquímico global, o passivo bilionário relacionado ao afundamento do solo em Maceió e uma estrutura de capital com liquidez apertada. A questão que o mercado agora tenta precificar é o tamanho do sacrifício que será exigido dos atuais acionistas para salvar a operação.

O peso da dívida e o socorro insuficiente

A recuperação extrajudicial é um mecanismo que permite à empresa negociar diretamente com seus credores, sem a necessidade de uma intervenção judicial completa, desde que obtenha a adesão de mais de 50% deles. A Braskem já parte com o apoio de 39,6%, segundo o fato relevante. O plano, em essência, busca alongar os prazos de pagamento e capitalizar juros para dar fôlego ao caixa.

Para garantir a operação no curto prazo, a Braskem negocia com a Petrobras, sua acionista e principal fornecedora, uma linha de crédito comercial de R$ 2,35 bilhões. Contudo, como apontam analistas do Bradesco BBI em relatório, embora a medida traga alívio ao capital de giro, ela é insuficiente para alterar o quadro de endividamento estrutural da companhia. É um analgésico, não a cura.

Diluição no horizonte

A exclusão dos papéis dos índices da bolsa é um golpe técnico, forçando gestores de fundos passivos a venderem suas posições, o que explica parte da derrocada recente. Mas o risco fundamental é mais profundo e reside na solução que será dada à dívida. A principal aposta do mercado, ecoada na análise do BBI, é que a reestruturação envolverá uma conversão de parte da dívida em ações.

Na prática, isso significa uma diluição expressiva para os atuais acionistas. Credores se tornariam sócios da companhia para abater o montante devido, diminuindo a participação de quem já está na base acionária. Uma alternativa seria um novo aporte de capital dos sócios controladores, como a própria Petrobras, mas o caminho da conversão da dívida parece o mais provável para equacionar um passivo dessa magnitude.

O processo de negociação com os credores está apenas no começo. A Braskem ganhou 90 dias de proteção para costurar um acordo final. O resultado definirá não apenas a nova estrutura de capital da petroquímica, mas também o valor que restará nas mãos de seus acionistas ao fim da jornada.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times