A Ternium, grupo ítalo-argentino que controla a Usiminas, negou formalmente qualquer plano em andamento para fechar o capital da siderúrgica brasileira. O comunicado foi uma resposta a um pedido de esclarecimentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que agiu após a publicação de uma nota na coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo, sobre a suposta intenção.

A negativa da Ternium foi taxativa, classificando a informação como “inverídica”. Contudo, a nota contém um parágrafo que é praxe no mundo corporativo e serve para manter todas as portas abertas: a empresa afirma que “avalia continuamente alternativas e oportunidades estratégicas”. Para o mercado, a mensagem é clara: o plano não existe oficialmente, até o dia em que passar a existir.

O peso do controle

Para entender a movimentação, é preciso lembrar o longo e conflituoso histórico societário da Usiminas. Por anos, Ternium e o grupo japonês Nippon Steel travaram uma batalha pela gestão da companhia, um impasse que só foi resolvido em 2023, quando a Ternium finalmente consolidou sua posição no bloco de controle. O fechamento de capital seria o movimento final e lógico para exercer controle absoluto, livre das amarras e da pressão trimestral do mercado de capitais.

Nesse contexto, a rápida atuação da CVM é um sinal importante de vigilância. O papel do regulador é justamente zelar pela simetria de informações e proteger os acionistas minoritários de especulações que possam impactar o valor dos ativos. Ao forçar a Ternium a se posicionar publicamente, a CVM cumpre seu dever de mitigar a assimetria de informação, ainda que a resposta da empresa seja, por natureza, protocolar.

O risco para os minoritários

O temor central dos acionistas não controladores, como apontado em análises de mercado mencionadas pela reportagem original, é a possibilidade de uma oferta de fechamento de capital sem a garantia de 'tag along' – o direito de venderem suas ações pelo mesmo preço pago ao controlador. Um processo de deslistagem pode ser estruturado de forma a prejudicar os minoritários, gerando uma cisão ainda maior entre o valor das ações ordinárias (com voto) e preferenciais.

A especulação, mesmo que negada, reintroduz um prêmio de risco na ação da Usiminas. A governança corporativa da empresa volta a ficar sob os holofotes, e o mercado passa a precificar a possibilidade de um movimento futuro por parte do controlador.

O desmentido da Ternium encerra o assunto no campo formal, mas não no estratégico. A lógica para uma eventual retirada da Usiminas da bolsa permanece intacta. Para os investidores, a questão não é se a Ternium tem a intenção, mas quando e em quais condições ela poderia ser executada. A vigilância da CVM é um contrapeso, mas o jogo de longo prazo é ditado pelo dono do capital.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times