A rotatividade de funcionários é uma preocupação perene para CEOs, que respondem com bônus e programas de RH. E se o problema não estiver nas políticas de retenção, mas na natureza do trabalho? Em ensaio para a Fast Company, o engenheiro Matthew Chang defende uma tese contraintuitiva: para manter pessoas, as empresas devem construir um lugar do qual elas não queiram sair. O ponto de partida não é o RH, mas a operação, identificando e eliminando o "trabalho quebrado" que leva à demissão.

Onde a automação realmente começa

Para Chang, a pergunta correta não é "o que podemos automatizar?", mas "quais postos de trabalho as pessoas abandonam?". A resposta quase sempre aponta para tarefas repetitivas e fisicamente desgastantes. É aí que a automação deveria começar. O objetivo não é a simples redução de custos, um equívoco comum, mas sim aumentar o valor e o engajamento dos colaboradores que permanecem na companhia, liberando-os de funções insustentáveis.

Um investimento em pessoas, não em robôs

Ao eliminar tarefas que minam a saúde, a automação abre espaço para funções de maior complexidade. Colaboradores aprendem a operar softwares e a gerenciar sistemas, tornando-se especialistas. Chang chama esse processo de "universidade de robôs", um programa que transforma operadores em líderes. A lealdade, argumenta, não nasce de vantagens, mas do momento em que um funcionário percebe que a empresa investe em sua carreira.

A discussão, portanto, se desloca de "retenção" para "desenvolvimento". As empresas que prosperarem na próxima década não serão as que oferecem os melhores benefícios, mas as que usam a tecnologia para criar trabalho mais seguro e carreiras com mais significado, onde os melhores talentos escolhem ficar.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fast Company