A produção de “Dark Horse”, filme inspirado na trajetória de Jair Bolsonaro, deixou de ser apenas um assunto cultural para se tornar objeto de uma investigação federal. A Polícia Federal solicitou à Agência Nacional do Cinema (Ancine) um dossiê completo sobre a obra, incluindo seu financiamento, empresas e pessoas envolvidas. O pedido faz parte de um inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).
O movimento da PF eleva a temperatura em torno do projeto, que já estava sob escrutínio público. A questão central, segundo reportagem do InfoMoney, não é o mérito artístico da obra, mas o rastro do dinheiro. A investigação busca determinar se a produção cinematográfica serviu como fachada para transações financeiras com potenciais implicações políticas e legais para a família Bolsonaro.
O dinheiro segue o roteiro
O interesse dos investigadores foi aguçado por revelações sobre a captação de R$ 61 milhões para o filme, uma operação reconhecida pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. O recurso teria vindo do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A PF agora se debruça sobre o destino desse montante, que, segundo reportagens do The Intercept Brasil, teria transitado por uma empresa ligada ao senador.
A principal suspeita em apuração é se parte do capital destinado ao longa-metragem foi, na verdade, desviada para custear despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro durante sua estadia nos Estados Unidos. Se confirmada, a hipótese transformaria o que seria um investimento cultural em um possível esquema de irregularidade financeira, conectando diretamente a produção do filme a uma investigação sobre o patrimônio e os gastos da família do ex-presidente.
Entre a arte e o auto de infração
Os problemas de “Dark Horse” com as autoridades não são novos. A produtora Go Up Entertainment já havia sido autuada pela Ancine por iniciar as filmagens no Brasil sem a comunicação prévia obrigatória para uma produção estrangeira — uma falha processual que pode render multa de até R$ 100 mil. O episódio sugere uma certa displicência com as normas regulatórias do setor audiovisual brasileiro desde o início.
Enquanto isso, a distribuidora Europa Filmes planeja um lançamento robusto para depois das eleições, em mais de 650 salas de cinema. O filme, estrelado por Jim Caviezel, é descrito como um thriller focado na campanha de 2018 e no atentado em Juiz de Fora. A ironia é que, agora, o maior suspense em torno de “Dark Horse” não está na tela, mas nos autos da investigação que pode redefinir a narrativa sobre seus bastidores.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





