A Openreach, braço de atacado da British Telecom (BT), anunciou a expansão de sua política de "Stop Sell" para mais 112 centrais telefônicas no Reino Unido. A medida impede que provedores de internet vendam novos serviços baseados na antiga rede de cobre em áreas onde a fibra óptica de ponta a ponta (FTTP) já está disponível para 75% das instalações.
A decisão, reportada pelo The Register, acelera a modernização da infraestrutura britânica, mas impõe um ritmo forçado de migração. A estratégia da ex-estatal é clara: tornar a manutenção da rede legada economicamente inviável para forçar a adesão à nova tecnologia.
A pressão econômica para modernizar
A política de "Stop Sell" é um instrumento de mercado, não de adoção. A restrição é ativada pela disponibilidade da fibra, não por seu uso efetivo. Com esta nova leva, a Openreach totalizará 1.572 centrais sob a regra, cobrindo 15,4 milhões de endereços — mais da metade de sua pegada de fibra. O plano é alcançar 25 milhões de instalações até o fim de 2026.
Para garantir que os provedores sigam o cronograma, a Openreach está usando o bolso como principal argumento. A empresa vem aumentando os custos para quem insiste em operar nas linhas de cobre, efetivamente repassando o custo da obsolescência. A justificativa, nas palavras de um diretor da empresa, é que a rede analógica se tornou "significativamente mais cara para operar". O recado é claro: migrar ou pagar um prêmio por um serviço com data para acabar.
O movimento da Openreach espelha um desafio global enfrentado por operadoras de telecomunicações, incluindo as brasileiras, na transição de infraestruturas legadas. O desligamento completo da rede telefônica analógica no Reino Unido, previsto para janeiro de 2027, marca o fim de uma era. A transição, no entanto, não é trivial e exigiu um adiamento do prazo original para acomodar usuários vulneráveis. O avanço da fibra é inevitável, mas a velocidade e o método dessa transição continuam a ser um delicado balanço entre inovação tecnológica e impacto social.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · The Register





