A discussão sobre o futuro dos pagamentos digitais está prestes a ganhar um novo capítulo em São Paulo. Em um painel no TI Inside Innovation Forum, executivos da orquestradora de pagamentos DEUNA e do programa de fidelidade Livelo debaterão a transição de um modelo operacional baseado em regras fixas para um sistema de decisões automatizadas em tempo real, impulsionado por inteligência artificial.

A premissa é que a análise estática, feita a posteriori, tornou-se um instrumento bruto e ineficiente. Em um cenário de e-commerce cada vez mais competitivo, recusar uma transação legítima — o chamado falso positivo — não significa apenas uma venda perdida, mas um cliente potencialmente alienado. A promessa da IA é refinar essa análise, transformando o motor de pagamentos de um porteiro rígido em um concierge inteligente.

O fim da análise pós-fato

Por anos, a gestão de risco em pagamentos operou com uma lógica binária, baseada em regras pré-estabelecidas: bloquear transações de um determinado país, acima de certo valor em horários específicos, ou com cartões que apresentaram algum comportamento suspeito no passado. Embora eficaz para barrar fraudes óbvias, esse modelo cria um atrito constante com bons clientes, impactando diretamente a conversão.

A mudança proposta é de filosofia. Em vez de regras genéricas, os novos sistemas analisam em milissegundos um mosaico de dados que inclui o padrão de navegação do usuário, a velocidade da compra, o dispositivo utilizado, o histórico de interações e informações da transação como BIN e adquirente. O objetivo, segundo os especialistas que participarão do debate, não é apenas bloquear o que é ruim, mas principalmente aprovar com mais segurança o que é bom.

A nova fronteira da conversão

A discussão sinaliza uma nova fronteira de competição para fintechs e plataformas de e-commerce. A otimização de pagamentos deixa de ser apenas sobre oferecer múltiplos métodos e se torna uma ciência de dados focada em maximizar a taxa de aprovação. Para empresas como a DEUNA, isso significa que a inteligência do orquestrador passa a ser um diferencial competitivo central, e não apenas uma comodidade de integração.

Para varejistas e programas de recompensa como a Livelo, que lidam com altíssimo volume de transações, cada ponto percentual ganho na taxa de aprovação representa um impacto direto e significativo na receita. A automação inteligente permite que os parâmetros de risco e governança sejam mantidos, mas com uma flexibilidade que o modelo manual jamais permitiria, adaptando-se às nuances de cada compra individualmente.

O debate, portanto, não é apenas sobre tecnologia, mas sobre a redefinição da própria operação de pagamentos. A questão que fica no ar é a velocidade com que as empresas brasileiras conseguirão migrar de uma estrutura reativa, baseada em regras, para um modelo proativo e dinâmico, confiando decisões de receita a um motor de IA.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · TIInside