As exportações minerais do Peru registraram um salto de 56% no primeiro semestre do ano, totalizando US$ 42,2 bilhões. O motor desse crescimento, segundo dados da Sociedade Nacional de Mineração, Petróleo e Energia (SNMPE) reportados pela Forbes España, são dois velhos conhecidos da economia andina: o cobre e o ouro. Juntos, os dois metais responderam por mais de 83% das vendas do setor no período.
A bonança e o risco
O desempenho é notável. As vendas de cobre cresceram 53,3%, para US$ 19,4 bilhões, enquanto as de ouro avançaram 62%, chegando a US$ 15,8 bilhões. A magnitude desses números, contudo, revela a profundidade da dependência peruana. Cobre e ouro, sozinhos, representaram 74,8% de toda a pauta de exportação comercial do país nos primeiros seis meses do ano — uma concentração que expõe a economia a uma volatilidade significativa.
Este cenário reflete um momento de alta nos preços globais das commodities, beneficiando economias extrativistas em toda a América Latina. Para o Peru, segundo maior produtor de cobre do mundo, a conjuntura é especialmente favorável, capitalizando a demanda por eletrificação e a busca por ativos de reserva. A questão que se impõe, no entanto, é a mesma que assombra outras nações ricas em recursos naturais, incluindo o Brasil com seu minério de ferro e soja: a extrema vulnerabilidade aos ciclos de preços internacionais e à saúde econômica de potências compradoras, como a China.
A robustez dos números atuais oferece um fôlego fiscal e uma oportunidade de investimento para o governo peruano. O desafio estrutural, porém, permanece inalterado. Converter a riqueza extraída do solo em desenvolvimento econômico diversificado e sustentável é a agenda que definirá se a bonança atual será um ciclo passageiro ou um degrau para uma economia mais complexa e resiliente.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





