A Petrobras anunciou um aporte de até R$ 23 milhões para fomentar projetos de coleta e comercialização de óleos e gorduras residuais em regiões próximas às suas operações em São Paulo e na Bahia. A seleção pública, com inscrições abertas até o dia 3 de julho, busca contemplar quatro iniciativas que atuem diretamente na estruturação de cadeias de reciclagem de óleo de cozinha usado.
O movimento da estatal reflete um esforço para consolidar uma base de fornecedores para seus produtos coprocessados. A estratégia, segundo o edital, prioriza associações e cooperativas de catadores que possam fornecer insumos para a produção de combustíveis renováveis, incluindo o combustível sustentável de aviação (SAF).
Foco em infraestrutura e capacitação
Os recursos serão distribuídos de forma desigual entre os estados, com um projeto na Bahia recebendo até R$ 5 milhões e três iniciativas em São Paulo podendo obter até R$ 6 milhões cada. A Petrobras estabeleceu que o capital deve ser aplicado em infraestrutura física, logística de coleta, aquisição de equipamentos e qualificação administrativa dos coletivos.
Este modelo de investimento foca na profissionalização do setor de reciclagem. Ao exigir que os contratos tenham duração de 36 meses, a empresa busca garantir a sustentabilidade das operações das cooperativas, evitando que o suporte financeiro se torne um auxílio pontual sem efeito estrutural a longo prazo.
Integração à cadeia de biocombustíveis
A Petrobras enfrenta o desafio de escalar a produção de renováveis para atender às metas globais de descarbonização. A integração de óleos residuais no processo de coprocessamento em refinarias permite que a estatal aproveite ativos existentes enquanto reduz a intensidade de carbono do diesel e do querosene de aviação produzidos.
O incentivo à coleta local atua como uma estratégia de mitigação de riscos de suprimento. Ao fortalecer a logística reversa em municípios próximos às suas refinarias e usinas da Petrobras Biocombustíveis, a companhia diminui a dependência de cadeias de suprimentos complexas e reduz o impacto ambiental do transporte desses resíduos.
Impacto socioambiental e governança
Para as cooperativas, a iniciativa representa uma oportunidade de inserção formal na cadeia de valor de uma das maiores empresas do país. A exigência de capacitação operacional sugere que a Petrobras busca transformar esses coletivos em fornecedores qualificados, o que exige um padrão de conformidade e governança que nem sempre está presente no setor de coleta informal.
Do ponto de vista regulatório e de ESG, o projeto alinha a estatal às exigências por combustíveis de menor pegada de carbono. A capacidade de converter resíduos urbanos em insumos energéticos de alto valor agregado é um diferencial competitivo essencial para a transição energética da indústria de petróleo.
Perspectivas para o setor
A eficácia dessa estratégia dependerá da capacidade das entidades em absorver o capital e escalar a coleta de forma eficiente. Resta saber se o modelo de fomento será replicado em outras regiões do país, caso a demanda por SAF continue a crescer conforme as regulamentações internacionais se tornam mais rígidas.
O mercado deverá observar se a formalização dessas cooperativas será mantida após o encerramento dos contratos de 36 meses. A continuidade da integração desses insumos na matriz de produção da Petrobras será o principal termômetro para avaliar o sucesso desse investimento social.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





