A riqueza pessoal global registrou um avanço de 10,8% em 2025, marcando o crescimento mais robusto desde 2017, segundo o Relatório Anual sobre Riqueza Global do UBS. O levantamento, que analisou 56 mercados representando 92% da riqueza mundial, destaca a criação de quase 1 milhão de novos milionários em dólares, um recorde histórico para o indicador.
Este salto supera significativamente as taxas de expansão observadas em 2024 (4,6%) e 2023 (4,2%). De acordo com o documento, os Estados Unidos lideraram a tendência, sendo responsáveis por mais de 440 mil novos integrantes ao grupo de milionários, o que equivale a quase metade da expansão observada em todo o globo.
Fatores de impulsionamento e valorização de ativos
O crescimento da riqueza em 2025 foi sustentado primordialmente pela valorização expressiva nos mercados financeiros globais. A alta nas bolsas e o aumento do valor de diversas classes de ativos foram os motores centrais do movimento, permitindo que o patrimônio privado se expandisse mesmo em um cenário macroeconômico complexo. A análise do UBS sugere que a diversificação de portfólios foi um diferencial estratégico para os investidores que se beneficiaram da bonança.
Adicionalmente, a dinâmica cambial desempenhou um papel relevante no resultado final. A desvalorização do dólar frente a uma cesta de moedas ao longo do ano inflou, em termos nominais, o patrimônio registrado em diversos países. Esse efeito contábil, embora não represente necessariamente um aumento de poder de compra real em todos os mercados, contribuiu para elevar o montante total da riqueza global mensurada pela instituição suíça.
Mecanismos de concentração patrimonial
Embora o crescimento tenha sido disseminado por todos os 56 mercados analisados, a distribuição desses ganhos revela uma assimetria persistente. Enquanto a riqueza média apresentou trajetória de alta, a riqueza mediana — que reflete a realidade do cidadão típico — recuou na maioria das jurisdições acompanhadas. Esse descolamento indica que a expansão patrimonial foi mais intensa entre os estratos de maior renda, resultando em uma concentração de riqueza mais acentuada.
O fenômeno é corroborado pelo avanço do segmento de ultra-altíssima renda. O número de bilionários cresceu 13,1% em apenas um ano, totalizando 3.302 indivíduos. Mais notável ainda foi a valorização do patrimônio desse grupo, que saltou 25% até abril de 2026, superando amplamente o crescimento da riqueza global média. Atualmente, 19 indivíduos detêm fortunas superiores a US$ 100 bilhões, com domínio expressivo de residentes americanos.
Implicações para o ecossistema financeiro
A ascensão dos novos milionários e a consolidação do topo da pirâmide trazem implicações importantes para o ecossistema financeiro. Para gestores de fortunas e instituições de private banking, o cenário exige estratégias de alocação mais sofisticadas para capturar o valor em um ambiente de alta concentração. Reguladores, por outro lado, enfrentam o desafio de monitorar a desigualdade crescente, que pode pressionar agendas de políticas fiscais e tributárias em diversos países.
Para o mercado brasileiro, que se insere no contexto global de volatilidade e busca por ativos de valor, o dado do UBS serve como termômetro para a atratividade de investimentos internacionais. A capacidade de preservação de capital em dólar torna-se um objetivo central para a elite econômica local, especialmente quando o crescimento da riqueza mediana doméstica não acompanha a velocidade observada nos mercados desenvolvidos.
Perspectivas e incertezas futuras
A sustentabilidade desse ritmo de crescimento permanece como uma dúvida central para os próximos ciclos. A dependência da valorização dos mercados financeiros torna a riqueza global suscetível a correções bruscas, caso o cenário de juros ou a estabilidade geopolítica sofram alterações significativas.
Observar como a diferença entre a riqueza média e a mediana se comportará nos próximos relatórios será fundamental para entender se o gap de desigualdade continuará a se expandir. A questão que paira é se a economia global conseguirá democratizar os ganhos patrimoniais ou se a concentração observada em 2025 é a nova norma.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





