O Banco Safra alterou sua recomendação para as ações da Movida (MOVI3) de neutra para compra, estabelecendo um novo preço-alvo de R$ 13,80 para os próximos 12 meses. A mudança, detalhada em relatório recente, sugere um potencial de valorização de 43,3% em relação ao preço de fechamento registrado na última sexta-feira.
A revisão ocorre após um período de forte pressão vendedora sobre o ativo, que acumula queda de 34% desde fevereiro. Para os analistas do banco, esse movimento de desvalorização foi excessivo e acabou por criar um ponto de entrada atrativo, restabelecendo uma margem de segurança que, na visão da instituição, torna o valuation atual da companhia convidativo para investidores.
Contexto da retomada operacional
A tese de investimento do Safra apoia-se em melhorias operacionais consistentes que a Movida tem demonstrado nos últimos trimestres. A gestão da companhia conseguiu implementar reajustes tarifários eficazes e elevar a taxa de utilização da frota, fatores que impulsionaram a rentabilidade do segmento de aluguel de veículos (RAC).
Apesar do otimismo com a eficiência operacional, o banco mantém uma postura de cautela em relação ao curto prazo. O relatório ressalta que o ambiente macroeconômico brasileiro, caracterizado por juros ainda elevados, continua a representar um desafio significativo para o setor de locadoras, que depende intensamente de alavancagem financeira para a renovação e expansão de seus ativos.
Mecanismos de rentabilidade e dívida
O Safra revisou suas estimativas de lucro líquido para 2026, elevando a projeção para R$ 602 milhões. Em contrapartida, a previsão para 2027 foi reduzida em 9,6%, para R$ 1 bilhão, refletindo uma expectativa de que o custo da dívida permaneça pressionado por um período mais longo do que o antecipado anteriormente.
A estratégia de geração de caixa operacional da Movida tem sido um ponto de atenção positivo. Com resultados acima do esperado, a projeção de dívida líquida para o fim de 2026 foi ajustada para R$ 18,4 bilhões. Enquanto o segmento de locação ganha tração, o banco adotou uma postura mais conservadora para a divisão de Seminovos, projetando uma desaceleração nas vendas de veículos usados nos próximos exercícios.
Implicações para o setor de locação
O setor de transportes continua a ser dominado pela Localiza, que permanece como a principal recomendação do Safra. Com preço-alvo de R$ 54,90, a Localiza é vista como a referência em execução e liderança de mercado, beneficiando-se de uma estrutura de capital mais resiliente.
Para a Vamos, o banco ajustou o preço-alvo para baixo, situando-o em R$ 4,80, embora tenha reiterado a recomendação de compra. A divergência entre as projeções para as três empresas destaca a seletividade do mercado diante de um cenário de juros que exige alta eficiência na gestão de frota e controle rigoroso do endividamento para garantir retornos sustentáveis aos acionistas.
Perspectivas e incertezas
A principal dúvida que permanece no mercado é a velocidade com que a Movida conseguirá converter sua eficiência operacional em desalavancagem financeira. A capacidade de manter margens elevadas em um cenário de juros persistentes será o fiel da balança para a concretização das metas projetadas pelo Safra.
Investidores deverão monitorar de perto os próximos balanços trimestrais em busca de sinais de que a redução da dívida líquida se manterá consistente. A volatilidade do setor, historicamente sensível ao custo do capital, sugere que o caminho para o preço-alvo de R$ 13,80 dependerá tanto da execução interna da companhia quanto da estabilização da curva de juros no Brasil.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times — Mercados





